Nêgo Bispo deixa um legado inesquecível e uma sabedoria em prol da resistência coletiva para a comunidade quilombola e o cenário intelectual brasileiro que se despediram na última segunda-feira (04) de uma figura única.
Antônio Bispo dos Santos, conhecido nacionalmente como “Nego Bispo”, faleceu no último domingo (03) aos 63 anos, no Estado do Piauí. Nego Bispo era filósofo, poeta, escritor, professor, ativista político e um renomado intelectual quilombola.
O deputado Bordalo (PT) apresentou na Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), na terça-feira (05) um requerimento que manifesta votos de pesar a um dos maiores intelectuais da atualidade. A notícia foi recebida com profundo pesar, a manifestação de votos de pesar aos familiares, amigos e admiradores desse ícone da cultura quilombola. Uma perda que deixa um vazio significativo na luta pelos direitos e reconhecimento do povo negro no Brasil.
Nêgo Bispo: Legado marcante
Nego Bispo era conhecido não apenas por sua atuação política, mas também por sua contribuição intelectual marcante. Seu extenso currículo incluiu participação ativa em movimentos sociais pela causa quilombola e pelo movimento negro. Sua notoriedade cresceu à medida que ele se destacava na defesa das tradições culturais, da história de luta do povo negro e na proposição do conceito de “contra-colonialismo”.
O termo “contra-colonialismo”, desenvolvido por Nego Bispo em suas obras, representa uma postura de resistência, enfatizando a importância de fortalecer a cultura, práticas e organizações sociais das comunidades colonizadas contra os esforços de imposição dos colonizadores. Esse conceito provocador e instigante tornou-se tema de discussões nas academias brasileiras, refletindo a profundidade do pensamento desse grande intelectual.
Seu legado intelectual e prático deixa uma marca indiscutível na história do Brasil e do mundo. Ainda que tenha nos deixado precocemente, aos 63 anos, Nego Bispo será sempre lembrado como uma das figuras mais marcantes de seu tempo. Sua mensagem de força e resistência ecoará nas mentes daqueles que cruzaram seu caminho e nas futuras gerações que estudarão sua obra.
Antônio Bispo dos Santos completaria 64 anos no próximo dia 12 de dezembro. Uma data que, ao invés de comemoração, será marcada pela lembrança de um homem que dedicou sua vida à promoção da igualdade, justiça e valorização da cultura quilombola. Ele deixa para trás uma esposa, Edileusa, dois filhos biológicos, quatro netos e inúmeros amigos que compartilharam com ele as batalhas e conquistas ao longo dos anos.
A proposição foi encaminhada ao conhecimento do gabinete do Governador do Estado do Pará, gabinete do Governador do Estado do Piauí, Assembleia Legislativa do Piauí, da Coordenação Nacional de Articulação dos Quilombos (CONAQ), da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas do Piauí e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas.
Nego Bispo deixa um vácuo, mas sua memória será cultivada na busca contínua pela justiça, igu/aldade e respeito às raízes culturais do povo quilombola. Que seu legado continue inspirando e guiando aqueles que lutam por um Brasil mais inclusivo e justo. Viva Nego Bispo!


