Por Carlos Bordalo

A implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil,
em 1990, veio de grande mobilização social.
Hoje completa 25 anos. Há
motivos para comemorar? O último levantamento do Conselho Nacional dos Direitos
da Criança e do Adolescente (Conanda), em 2014, mostra que a violência contra crianças
e adolescentes no Brasil é endêmica. A pesquisa mostra que 150 mil crianças e
adolescentes, entre 08 e 11 anos, foram vítimas em seus direitos ano passado. A
maioria meninas.

É preciso refletir sobre o ECA. Quais os agentes responsáveis
pelo cuidado da criança no Brasil? A família, a comunidade e o Estado.
A
falta dos investimentos públicos determinado pelo artigo 4º do ECA e, por
consequência a sua não aplicação,  são os
principais motivos para o descrédito ao ECA. As pessoas começam a achar que a
lei não serve para nada. O clamor popular pela redução da maioridade penal é um
exemplo.

25 anos depois de criado, acredito que o desafio maior do ECA,
hoje, é a sua aplicação, de fato, para que todos entendam a importância dessa legislação.
Como acreditar num Estatuto se ele não é aplicado?

É preciso o envolvimento da sociedade neste debate, essencial
para fazer valer o ECA. Enquanto a família, a escola e o Poder Público não
entenderem que o Estatuto é um documento importante para garantir o futuro das
nossas crianças e adolescentes, continuaremos engatinhando nas questões de
violações de direitos.

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