De autoria do deputado Bordalo (PT), apresentado nesta terça-feira (19), na Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), o Projeto de Lei (PL) que propõe o “Caminho das Pedras” do território quilombola de Abacatal como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Pará.
O Caminho das Pedras é um tesouro histórico que remonta ao século 18 e é parte integrante da memória coletiva da Comunidade Quilombola do Abacatal, localizada em Ananindeua, região metropolitana de Belém.
A construção do “Caminho das Pedras”
Este caminho, com aproximadamente 500 metros de extensão e meio metro de largura, tem uma importância histórica significativa, pois foi construído por pessoas escravizadas para facilitar o acesso à sede da fazenda do Conde Coma de Melo, às margens do igarapé Uriboquinha. Sua existência representa não apenas uma estrutura física, mas também um símbolo da resistência e da luta do povo quilombola que habita a região há mais de três séculos.
Atualmente, mais de 160 famílias residem no território de Abacatal, mantendo vivas suas tradições e modos de vida, que incluem atividades econômicas como agricultura, produção de carvão, coleta e comercialização de açaí, extração de madeira e pedra, entre outras.
A proximidade com o centro urbano de Ananindeua proporciona à comunidade a oportunidade de comercializar seus produtos em uma feira local, onde oferecem uma variedade de itens cultivados em suas roças e hortas.
No entanto, nos últimos anos, a comunidade tem enfrentado pressões devido à expansão urbana, o que torna ainda mais crucial o reconhecimento e a preservação do “Caminho das Pedras” como parte do patrimônio histórico e cultural do Pará. Este projeto de lei busca garantir não apenas a conservação física dessa importante via, mas também a valorização da identidade e da história do povo quilombola, reafirmando sua contribuição para a construção da sociedade paraense.
A proposta de Bordalo representa um passo importante na proteção e no fortalecimento da herança cultural e histórica do Estado do Pará, destacando a importância de preservar os locais que contam a história de resistência e luta das comunidades tradicionais.


