Sem diálogo com a Polícia Civil e engendrando soluções sem pé-nem-cabeça, governo Jatene amplia o conflito na (in)segurança pública. E o povo…

Conforme eu adiantei no post Governo Jatene fracassa na saúde, na segurança e está envolvido em transações ilícitas em licitações, não
daria certo o movimento do Comando da Polícia sem diálogo efetivo com a Polícia
Civil. 

E a julgar pelas últimas medidas do governo, está muito longe  um final harmonioso entre governo e categoria da Polícia Civil. O que amplia a  crise na segurança pública do Pará, por absoluta falta de capacidade de dialogar e buscar a valorização dos policiais.

 A “solução”
apresentada pelo Secretário de Segurança Pública de colocar os Policiais
Militares em desvio de função procedendo as Ocorrências Policiais, os
conhecidos BO’s, tem mais cara de engodo do que de saída para a crise. 

Uma
greve está se avizinhando e a falta de tato da gestão em negociar, em dialogar efetivamente com os policiaiscresce o
combustível ao movimento. 

Razões à greve são muitas. Algumas delas:

  • disparidades salariais entre os Delegados, que diga-se de passagem já ganham um dos piores salários do país; 
  • falta de infraestrutura e condições para o trabalho; 
  • falta de pagamento antecipado para diárias aos policiais em viagens; 
  • viaturas sucateadas; 
  • falta
    de agentes prisionais nas delegacias, o que provoca o desvio de função
    dos investigadores em cuidar dos presos que deveriam ser custodiados
    pela SUSIPE
  • falta de diálogo, são algumas das reclamações da categoria da
    Polícia Civil.

 

Clique na imagem para ler as reivindicações da Polícia Civil.

Confirmando a extrema insatisfação dos delegados e servidores da polícia civil, por e-mail o delegado Bismarck nos envia  sua opinião pessoal e crítica da crise hoje na área de segurança pública:

Quem me conhece sabe que não fujo à luta. Desta feita, em meio as inúmeras polemicas atuais acerca do “registro de ocorrências” por parte de investigadores de polícia e policiais militares tenho a seguinte opinião:

a) Em relação aos investigadores, entendo que deveríamos extinguir os cargos de escrivão e investigador de polícia e criar uma “nova” categoria, a de “agentes” de polícia. Sendo todos agentes da autoridade, pagaria-se uma gratificação para os agentes que procedesse ao registro de ocorrências e confecção de procedimentos policiais;

 b) Em relação aos PMs, eu sou contra, pois entendo que há conflito positivo de atribuições, além da ausência de previsão legal.
Entretanto, independentemente de quem registre a ocorrência policial, entendo que o importante é que ela seja vista, revista e trabalhada do ponto de vista investigativo.  
Sempre propalo a seguinte máxima: “De nada adianta o cidadão ter uma Delegacia 24h pra registrar ocorrências se a ocorrência registrada não for investigada hora nenhuma”. Precisamos sim é fortalecer a polícia judiciária, sobretudo do ponto de vista investigativo. Quando um pobre registra uma ocorrência de furto, ele não quer “registrar a ocorrência”, ele quer reaver suas coisas…

Outra coisa:  é muitíssimo lamentável a postura dos grandes veículos de comunicação, que de forma abusiva e muitas vezes leviana, exerce um 4º poder autoproclamado, colocando em situação delicada autoridades e instituições públicas sem qualquer responsabilidade social sobre aquilo que divulga. ;Por outro lado, não vejo ninguem reclamar que às 14h nos Foruns, procuradorias, defensorias, etc etc estão fechadas no Pará. Pq o “4º poder” não cobra que outras instituições funcionem a contento? Estariam as polmicas atuais fomentadas por interesses outros?

Esta é a minha modesta modesta opinião e não reflete nada mais que a minha única e exclusiva opinião pessoal.

Bismarck, Francisco B. Filho -Delegado de Polícia Civil


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