Por Luis Nassif
Já
tinha alguns anos de jornalismo, o país começava a lutar pela
redemocratização, fui entrevistar Abraham Lowenthal, um dos pensadores
do Partido Democrata norte-americano e estudioso da América Latina.
Na
época, nós, jornalistas econômicos, estávamos empenhadíssimos em
convencer o meio empresarial de que a democracia era um “bom negócio”.
Fiz uma série de perguntas sobre a importância da democracia para a
economia.
A resposta de Lowenthall me derrubou. “A democracia é importante porque é importante. Não precisa de justificativas econômicas”.
*****
Saindo de Macapá, depois de uma palestra para coordenadores do Sebrae de todo o país, me vali do ensinamento de Lowenthal.
Um dos temas debatidos foi o Bolsa Família.
Um dos coordenadores apontou os benefícios que o BF trouxe a inúmeras regiões estagnadas do seu estado.
Primeiro
veio o novo consumo, por meio do BF e da Previdência Social. Em
seguida, vieram os novos empreendimentos. Com eles, novos empregos. E a
região ganhou vida própria. No país todo, a melhoria de renda gerou um
mercado de consumo fantástico.
Outro coordenador tinha visão
diferente. Sua percepção era a de que as mães pobres passaram a ter mais
filhos, para aumentar a Bolsa; as famílias fugiram para as cidades,
sobrecarregando os serviços públicos; e diminuiu a propensão de todos
para o trabalho.
*****
Com o BF houve redução da
natalidade e da mortalidade infantil. Mesmo reduzindo a mortalidade
infantil, houve redução dos filhos. Ou seja, o BF exerceu um papel
civilizador, ao permitir às mães planejar, e impedindo as crianças de
morrer.
As estatísticas mostram, também, número crescente de
beneficiários do BF pedindo desligamento, depois de conseguir renda
suficiente. Mas é óbvio que, com o BF e a Previdência, os jovens
passaram a entrar mais tarde no mercado de trabalho e houve uma queda na
oferta de mão de obra para empregos de baixíssima remuneração.
Os dois fatos se refletiram em toda estrutura de emprego, provocando um efeito cascata de aumento do salário real.
Já
as cidades mais pobres, especialmente no Nordeste, receberam mais
famílias pela relevante razão de que os caraminguás do BF deram
condições a elas de permanecer na sua região, mesmo enfrentando uma das
maiores secas da história. Obviamente, com a seca, procuraram as
cidades.
*****
Aí se entram em desdobramentos que nada têm a ver com o BF.
Um
deles é o aumento do salário real, bom para o consumo, ruim para a
estrutura de custos das empresas. O caminho são reformas e melhorias de
gestão que signifiquem um choque de produtividade.
O segundo
problema é que, nas regiões mais pobres, aumentou a renda das pessoas
mas não a receita dos municípios – contribuiu para isso a imprudente
política de desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados).
Mais uma vez, nada tem a ver com o BF.
No
final do encontro, sugeri aos ouvintes que criticassem a Fazenda, o
Tesouro, a Receita, o Ministério das Cidades, mas não o Bolsa Família.
Se houver um céu no serviço público, seus criadores ganharam o assento
eterno.
Lembrando Lowenthall: o Bolsa Família é importante porque acabou com a fome de milhões de brasileiros. E basta.
tinha alguns anos de jornalismo, o país começava a lutar pela
redemocratização, fui entrevistar Abraham Lowenthal, um dos pensadores
do Partido Democrata norte-americano e estudioso da América Latina.
Na
época, nós, jornalistas econômicos, estávamos empenhadíssimos em
convencer o meio empresarial de que a democracia era um “bom negócio”.
Fiz uma série de perguntas sobre a importância da democracia para a
economia.
A resposta de Lowenthall me derrubou. “A democracia é importante porque é importante. Não precisa de justificativas econômicas”.
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Saindo de Macapá, depois de uma palestra para coordenadores do Sebrae de todo o país, me vali do ensinamento de Lowenthal.
Um dos temas debatidos foi o Bolsa Família.
Um dos coordenadores apontou os benefícios que o BF trouxe a inúmeras regiões estagnadas do seu estado.
Primeiro
veio o novo consumo, por meio do BF e da Previdência Social. Em
seguida, vieram os novos empreendimentos. Com eles, novos empregos. E a
região ganhou vida própria. No país todo, a melhoria de renda gerou um
mercado de consumo fantástico.
Outro coordenador tinha visão
diferente. Sua percepção era a de que as mães pobres passaram a ter mais
filhos, para aumentar a Bolsa; as famílias fugiram para as cidades,
sobrecarregando os serviços públicos; e diminuiu a propensão de todos
para o trabalho.
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Com o BF houve redução da
natalidade e da mortalidade infantil. Mesmo reduzindo a mortalidade
infantil, houve redução dos filhos. Ou seja, o BF exerceu um papel
civilizador, ao permitir às mães planejar, e impedindo as crianças de
morrer.
As estatísticas mostram, também, número crescente de
beneficiários do BF pedindo desligamento, depois de conseguir renda
suficiente. Mas é óbvio que, com o BF e a Previdência, os jovens
passaram a entrar mais tarde no mercado de trabalho e houve uma queda na
oferta de mão de obra para empregos de baixíssima remuneração.
Os dois fatos se refletiram em toda estrutura de emprego, provocando um efeito cascata de aumento do salário real.
Já
as cidades mais pobres, especialmente no Nordeste, receberam mais
famílias pela relevante razão de que os caraminguás do BF deram
condições a elas de permanecer na sua região, mesmo enfrentando uma das
maiores secas da história. Obviamente, com a seca, procuraram as
cidades.
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Aí se entram em desdobramentos que nada têm a ver com o BF.
Um
deles é o aumento do salário real, bom para o consumo, ruim para a
estrutura de custos das empresas. O caminho são reformas e melhorias de
gestão que signifiquem um choque de produtividade.
O segundo
problema é que, nas regiões mais pobres, aumentou a renda das pessoas
mas não a receita dos municípios – contribuiu para isso a imprudente
política de desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados).
Mais uma vez, nada tem a ver com o BF.
No
final do encontro, sugeri aos ouvintes que criticassem a Fazenda, o
Tesouro, a Receita, o Ministério das Cidades, mas não o Bolsa Família.
Se houver um céu no serviço público, seus criadores ganharam o assento
eterno.
Lembrando Lowenthall: o Bolsa Família é importante porque acabou com a fome de milhões de brasileiros. E basta.
Fonte: blog do Miro http://migre.me/gb4cK

