Pescadores do Marajó preocupados com liberação da pesca durante o defeso

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Lideranças de pescadores do Marajó estiveram na Assembleia
Legislativa na manhã desta terça-feira para alertar o parlamento sobre a
Portaria Interministerial que libera por 120 dias o defeso em diversas regiões
do Brasil. No Pará, especificamente no Marajó.

Eu manifesto a mesma preocupação dos pescadores marajoaras porque
a portaria, assinada pelas ministras do Meio Ambiente e Agricultura, Kátia
Abreu e Isabela Teixeira, respectivamente, libera a pesca, com o objetivo de
combater fraudes no seguro-defeso, mas, 
libera num período de reprodução de espécies.

A preocupação é pertinente porque não é apenas o pescador
artesanal, mas todas as formas de pesca estão liberadas. Significa dizer que a pesca
predatória poderá avançar e comprometer os estoques pesqueiros de várias
regiões do País, em particular, no caso do Pará, a região do Marajó. Qual o custo
ambiental dessa portaria? Qual o custo futuro? Só para não pagar o seguro
defeso para o pescador?

Eu também defendo uma limpeza completa em fraudes no
seguro-defeso. É preciso moralizar esse cadastro, de fato. Mas, não pode ser
feito abrindo a porteira e comprometendo a sustentabilidade dos estoques
pesqueiros da região do Marajó. 

Minha solidariedade ao povo marajoara, especialmente aos
pescadores do Marajó, meu apelo a Ministra Kátia Abreu, a ministra Isabela
Teixeira, ao Governo Federal, para que possam estudar melhor essa medida e,
desta forma, encontrar uma solução mais equilibrada e que não atente contra
gerações futuras do povo marajoara e de outras regiões do Brasil.

O Marajó é um berçário de reprodução de várias espécies, que
descem o rio Amazonas para a desova no Marajó. E essas espécies retornam depois.
Liberar a pesca no período que chamamos de “Piracema”, é um atentado ambiental.
Vai provocar um desequilíbrio irrecuperável para o ecossistema marinho do
Marajó e do Estado do Pará.

Estamos liderando uma comissão de deputados que vai apoiar
os pescadores na mobilização contra as medidas. Vamos buscar o diálogo com a
bancada federal paraense, para reverter a portaria. Essa comissão também vai
assinar um requerimento em conjunto, apoiando a reivindicação dos pescadores, e
encaminhar aos ministérios do Meio Ambiente e Agricultura. Esse requerimento será
defendido e aprovado em plenário. Fazem parte dessa comissão os parlamentares Iran Lima, Lélio
Costa, Ozório Juvenil, Eliel Faustino, Miro Sanova e este deputado.


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