Parlamentares têm acesso a escutas telefônicas na CPI das Milícias

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Os parlamentares que investigam a atuação de milícias em Belém tiveram
acesso a escutas telefônicas que informariam os valores negociados pelas
mortes. Cerca de 60 pessoas já foram ouvidas. A CPI das Milícias deve ser
concluída até o final de janeiro.

Segundo o relator da CPI, os depoimentos apontam a existência de duas
milícias na Região Metropolitana de Belém. “Há uma milícia forte atuando no
Guamá. Há desconfiança séria e indícios muito fortes de que seria desta milícia
do Guamá a ação que resultou naquele teatro de guerra e naquelas execuções que
a cidade conviveu de uma forma dramática na noite do dia 4 e 5 de novembro”,
diz o deputado.
O deputado ressalta ainda uma possibilidade. “Nós podemos estar lidando
com conflito de território, a milícia do Guamá tentando invadir a Terra Firme e
os grupos da Terra Firme resistindo à invasão do seu território”, afirma
Bordalo.
A mãe de uma das vítimas, que prefere não se identificar, relata que
ainda não conseguiu voltar à rotina. “É um pedaço que foi arrancado de hora
para outra e que eu tenho certeza que nunca vai cicatrizar. Dói muito. Viver eu
não estou vivendo, estou sobrevivendo”, diz a mãe.
A Secretária do Estado de Segurança Pública informou que ainda não vai
se manifestar sobre as constatações da CPI das Milícias, já que o inquérito
policial que apura as causas e circunstâncias das mortes ocorridas na chacina
ainda está em fase de conclusão. As investigações correm em segredo de justiça
e são acompanhadas por uma equipe do Ministério Público do Estado. O relatório
final da CPI deve ser concluído no próximo dia 30 de janeiro e será entregue as
autoridades do Estado, do Governo Federal e da Justiça.
A ouvidoria de Segurança Pública também acompanha o trabalho. “Eu
acredito que o que a sociedade espera, que os familiares estão em uma ansiedade
de ver ser feito justiça pela morte dos seus filhos”, afirma a ouvidora da
Segup, Eliana Fonseca. 
Hoje pela manhã, os parlamentares irão tratar da “Operação Falso Patuá”,
desencadeada no município de Igarapé Miri, em setembro de 2014, que identificou
uma organização criminosa comandada pelo prefeito Ailson Santa Maria do Amaral,
o “Pé de Boto”); da atuação de milícias no interior do Estado, em Belém e na
Região Metropolitana; “Operação Katrina” (realizada em agosto do passado,
resultou nas prisões de 20 policiais militares); chacina do Tapanã (três adolescentes
mortos em 1994); operação “Navalha na Carne” (realizada em 2008 e que
desarticulou um grupo de extermínio), chacina de Icoaraci (seis adolescentes
mortos em 2011); e as dez mortes registradas em Belém, em novembro do ano
passado, logo após o assassinato do cabo Antonio Marcos da Silva Figueiredo, o
“Pet”.

Fonte: Jornal O Liberal – 20-01-15


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