O desenrolar da campanha em maio reverteu a tendência predominante em abril e recolocou os termos da campanha nos meses anteriores: crescimento da Dilma, às custas dos que tinham dito que votariam pelo candidato de Lula, mas que ainda expressavam seu voto pelo Serra. Até pesquisas que, de uma ou outra maneira, não refletiam ainda o empate técnico, com tendência a clara subida da Dilma e do descenso do Serra. Os efeitos das pesquisas não foi o da constatação do empate, mas a definição clara da tendência a que a Dilma já esteja liderando hoje ou que tende a liderar as pesquisas futuras.
A avaliação da candidatura da Dilma é que a identificação dela com o Lula é o fator fundamental do crescimento dela e da baixa do Serra. A avaliação da candidatura do Serra é que a super exposição da Dilma junto com o Serra teria sido a causa, que teria em uma exposição intensa do Serra em junho, a resposta.
O certo é que se esgotou a primeira imagem tentada pelo Serra: a de tentar reter votos que apóiam ao governo, tratando de passar por o melhor continuador dele, baseado no “pode mais”. Depois de certo desconcerto, o Serra se deu conta que o fortalecimento do consenso em torno do Lula e a projeção cada vez maior da identificação deste com a Dilma, não o favorecia e não impedia a sangria de votos para a candidata do governo.
Serra teve que fazer o que buscava evitar: ser o anti-Lula. Foi rapidamente adotando a receita tradicional da direita: segurança e diminuição dos impostos. A promessa da criação de um Ministério da Segurança e os ataques à Bolívia representam a tentativa de explorar o viés conservador de setores da classe média, para o que também converge a promessa de diminuir impostos – sem dizer de que setores cortaria a tributação.
O mais significativo da virada nas preferências do eleitorado na campanha foi a perda de iniciativa do Serra, que passou a responder a políticas do governo e a propostas da Dilma. Foi assim que destemperou seu ânimo contra a política externa (Mercosul, Venezuela, Irã, Bolívia), revelando um provincianismo, que revela uma incompreensão do que é o mundo de hoje, dos sucessos inquestionáveis da política externa brasileira e do desastre que seria uma política baseada nas afirmações dele (muito propriamente chamado de “exterminador do futuro” por Marco Aurélio Garcia).
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