No início da semana uma comissão de funcionários do Hospital Regional Abelardo Santos buscou o DIÁRIO apresentando uma carta que foi entregue à presidência do Conselho Estadual de Saúde denunciando que o mesmo estaria à beira da privatização e que o seu corpo clínico, de 493 servidores, seria inteiramente remanejado para a Santa Casa de Misericórdia sem qualquer consulta prévia, deixando-os revoltados.
Hoje, a partir das 9h, os servidores realizam protesto em frente ao Hospital São Lucas, onde atua o corpo clínico enquanto o HRAS passa por uma reforma que só termina em cerca de 18 meses, denunciando ainda que o serviço de urgência e emergência para adultos será suspenso.
As denúncias davam conta de que pessoas ligadas à Organização Social Pró-Saúde, que rege os HR de Altamira, Ananindeua, Santarém e Marabá e que possui sob suspeita um convênio milionário com o Governo do Estado de mais de R$ 250 milhões anuais, estariam participando de reuniões frequentes e a portas fechadas dentro do Hospital, o que levou o corpo clínico a desconfiar da possibilidade de mudança no perfil da gestão do hospital, que até o momento, é pública.
TRANSFERÊNCIA
Uma funcionária, que pediu para não ser identificada, por medo de represálias, relatou que há duas semanas ‘vazou’ a informação de que o hospital iria para as mãos de uma OS, e no início dessa semana a direção do HRAS fez o comunicado aos médicos sobre a transferência, deixando-os indignados.
“O pessoal dos Recursos Humanos do hospital simplesmente se fechou, perguntávamos e ninguém dizia nada. O que a gente ouve é que tem uma ala inteira da Santa Casa sem funcionar por falta de funcionário e que eles não podem mais contratar ninguém, por isso que querem nos transferir”, revelou a servidora.
Em entrevista ao DIÁRIO, o secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, confirmou que até o final desse mês, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) deve realizar chamada pública a fim de receber propostas de organizações sociais de todo o país interessadas em assumir os serviços de atendimento materno infantil, pediatria e maternidade oferecidos pelo Hospital São Lucas.
Assim que uma OS entrar no hospital, o corpo clínico do mesmo, de concursados da Sespa, deverá ser inteiramente transferido temporariamente, de acordo com Franco, para a Santa Casa. Ele garantiu que estará presente à reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa no dia 22 de julho, marcada a pedido dos servidores, para prestar esclarecimentos sobre a situação.
“Para manter o atendimento no distrito, nós alugamos o São Lucas, que é complicado, do ponto de vista da área física. E de lá para cá, chegamos à conclusão de que seria mais efetivo para a Saúde do Estado a otimização dos serviços oferecidos pela Santa Casa”, disse.
“Falamos com o SindSaúde e devemos marcar uma reunião com os funcionários para falar sobre esse assunto”, informou o secretário. “E enquanto a reforma não termina, e para que o atendimento em Icoaraci de materno infantil, pediatria e maternidade não pare nesse meio tempo, faremos a chamada pública para que uma OS faça a gestão do São Lucas até que o HRAS fique pronto”.
Ele afirmou ainda que é cedo para dizer se o perfil de gestão, que é pública, do ‘Abelardão’ permanecerá a mesma. “Em 18 meses poderemos ter outro Governo, que poderá ou não fazer essa mudança”, declarou.
(Diário do Pará)

