Números divulgados pelo INCRA, na semana passada, são animadores para a reforma agrária, instrumento fundamental para a geração de emprego, renda, combate à miséria e segurança alimentar do Brasil, mas que indicam a necessidade de avançarmos muito mais.
Pelo que foi divulgado, a área incorporada ao programa de reforma agrária saltou de 21,1 milhões de hectares de terras obtidos entre 1995 e 2002 para 48,3 milhões entre 2003 e 2010, um aumento de 129%. Tudo por meio de desapropriação, compra direta para implantação de assentamentos de trabalhadores rurais ou por meios não onerosos, como a destinação de terras públicas e o reconhecimento de territórios.
O número de famílias beneficiadas também aumentou, chegando ao total de 614.093. No mesmo período, foram criados 3.551 assentamentos. Atualmente, o Brasil conta com 85,8 milhões de hectares incorporados à reforma agrária, 8.763 assentamentos atendidos pelo Incra, onde vivem 924.263 famílias.
O trabalho de obtenção de terras para a reforma agrária foi medido em recente pesquisa feita pelo Incra sobre qualidade de vida, produção e renda nos assentamentos. Mais de 82% das famílias aprovam o tamanho do lote destinado pelo instituto.
Contudo, a questão agrária está longe de estar resolvida e temos um desafio especial, na Amazônia, que é produzir sem destruir a floresta, gerando riqueza para as populações rurais e ribeirinhas, com tecnologia limpa e sustentável. Podemos ser um celeiro para o modelo de crescimento do Brasil, que pode ser uma potência, todavia, ecológica.
Por isso, defendo que um amazônida esteja à frente do INCRA nacional, com compromissos também com esse projeto e prioridade.

