À medida que o Brasil se aproxima de mais um período eleitoral, é comum vermos o debate público ser reduzido a ataques pessoais, slogans vazios e disputas superficiais. Mas votar não é apenas escolher um nome na urna. É, na verdade, assumir um compromisso com o futuro da sociedade que queremos construir.

Por Carlos Bordalo
À medida que o Brasil se aproxima de mais um período eleitoral, é comum vermos o debate público ser reduzido a ataques pessoais, slogans vazios e disputas superficiais. Mas votar não é apenas escolher um nome na urna. É, na verdade, assumir um compromisso com o futuro da sociedade que queremos construir.
O que está em jogo vai muito além de preferências políticas. Trata-se de decidir qual projeto de país queremos seguir. Um caminho que fortaleça os direitos garantidos pela Constituição ou outro que coloque em risco conquistas históricas da população brasileira. Como alerta o debate apresentado no texto base, estamos diante de uma escolha que pode significar a manutenção da civilidade ou o avanço de um cenário de colapso social.
Inspirado também nas reflexões do deputado federal Henrique Vieira, fica evidente que essa discussão não pode ser reduzida a nomes ou disputas eleitorais específicas. O centro da questão é o projeto de nação. Precisamos decidir se queremos um país orientado pelo cuidado, pela justiça social e pelo respeito à vida, ou um modelo marcado pela exclusão, pelo medo e pela retirada de direitos.
Nos últimos anos, vimos crescer no Brasil uma lógica política que vai além de uma simples posição ideológica. Trata-se de uma forma de pensar e agir que naturaliza a violência, estimula o ódio e enfraquece os laços sociais. Esse modelo, muitas vezes associado ao bolsonarismo, tem impactos concretos na vida das pessoas e na estrutura do Estado.
Os exemplos são claros e recentes. Durante a pandemia de Covid-19, decisões que ignoraram a ciência contribuíram para um cenário de perdas evitáveis, afetando profundamente famílias brasileiras. Além disso, assistimos ao aumento de ataques a jornalistas, lideranças sociais e à liberdade religiosa, criando um ambiente de intolerância que compromete a democracia.
Outro aspecto preocupante foi o avanço da destruição ambiental e o enfraquecimento de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades. Quando o Estado deixa de proteger seu povo e seus recursos naturais, compromete não apenas o presente, mas também o futuro das próximas gerações.
É importante dizer com clareza: combater a corrupção é fundamental. Mas reduzir todo o debate político a esse único tema pode se tornar uma armadilha. Isso porque desvia a atenção de questões estruturais muito mais profundas, como a desigualdade social, o racismo e a garantia dos direitos fundamentais.
A verdadeira justiça social exige mais. Exige o fortalecimento das instituições democráticas, o respeito à diversidade e a construção de políticas públicas que coloquem a vida das pessoas no centro das decisões.
Defender esse caminho não é uma questão de preferência partidária. É uma escolha ética. É um compromisso com a dignidade humana, com a democracia e com o futuro do Brasil.
O modelo de sociedade que precisamos construir passa pelo cuidado com as pessoas, pela proteção do meio ambiente e pela promoção de igualdade real de oportunidades. É esse o desafio colocado diante de todos nós — e é também a responsabilidade que assumimos ao participar da vida política do nosso país.
Mais do que nunca, é hora de elevar o nível do debate e reafirmar aquilo que nos une: a defesa da vida, da justiça e de uma sociedade mais humana e solidária.

