Vitória da dignidade da mulher contra a monstruosidade integralista

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O tempo do obscurantismo ficou pra trás.


A Presidenta Dilma Rousseff sancionou ontem, sem vetos, a lei que garante assistência às dezenas de milhares de mulheres vítimas de estupro, todos os anos, no Brasil.

Leia também:  Dilma sanciona sem vetos lei que garante atendimento a vítimas de violência sexual http://migre.me/fEijU

Elas passam a ter direito a receber, na rede pública de saúde,
atendimento médico, um coquetel de medicamentos anti-HIV, anti-Hepatite C
e anti-HPV (papilomavírus humano, causador do câncer de útero).


Perde, assim, o lado sombrio dos fanáticos, liderados pelo integralista Paulo Fernando Melo, que ameaçou fazer campanha “antiabortista” acusando Dilma de permitir o aborto.


Mentira grosseira, porque o que as mulheres – a maioria delas menores
de idade, segundo as estatísticas –  receberá apenas – e se desejar –
um anticoncepcional conhecido como “pílula do dia seguinte”, cuja
diferença para os anticoncepcionais comuns é apenas uma dosagem um maior
de estrogênio e progestogênio, dois hormônios.


Esta pílula (na verdade a dosagem é de algumas pílulas) é “tão
abortiva” quanto qualquer pílula anticoncepcional, pois seu mecanismo de
ação é idêntico, impedindo a fixação do óvulo fecundado.


E olha que nem
mesmo é seguro que já tenha havido a fecundação do óvulo no momento do
estupro, porque a fecundação não raro ocorre depois, porque os
 espermatozóides têm uma sobrevida de até 24 horas no ambiente uterino,
tempo em que pode ocorrer a fecundação pós-coito.


Covardes, inclusive por mentir!


Se estes idiotas tivessem coragem de dizer a verdade, teriam de se
expor à sociedade como pretendendo proibir qualquer pílula
anticoncepcional e dizer que todas a mulheres que tomam ou tomaram
pílula praticaram aborto.


Nem a pílula anticoncepcional nem a “do dia seguinte” são abortivas, e os médicos e cientistas são unânimes nisso, assim como o entendimento do Supremo Tribunal Federal.

O que ocorre com a
pílula do dia seguinte é que as dosagens hormonais mais altas podem
tornar mais agudos os efeitos colaterais comuns aos anticoncepcionais e
fazem ainda mais importante o acompanhamento médico de seu uso.


O que eles não querem é isso, que se esclareça as mulheres, a quem
consideram simples objetos reprodutivos, de que é possível minorar o
enorme trauma de um estupro.


Sexo contra a vontade é estupro. E a concepção por estupro, que eles defendem, o que é?

Fonte: Fernando Brito

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