Poeminha infame para Belém. E tem uma carta aberta

Já me preparando para estar às 18 horas no Plácio dos Bares, local que vai acontecer o terceiro debate das prévias do PT, destaco e publico dois textos que circularam nos blogs e redes sociais hoje, sobre Belém e seus 396 anos.

O primeiro texto está no hupomnemata, o blog do professor Fábio Castro:

Poeminha infame para Belém

Minha terra tem mangueiras e é bonita de danar,
Mas o seu prefeito calhorda não a deixa deslanchar.
Não permita, Deus, que morra, minha Belém do Pará,
Dê um jeito de tirar esse prefeito de lá.
Minha terra tem belezas, que não há n’outro lugar,
O problema é que o prefeito, o maldito Duciomar,
É um huno desgraçado, um infeliz Malabar,
Não permita, Deus, que ele mate, minha Belém do Pará.
Minha terra tem mangueiras, quem governa é o Duciomar.
Seu Ducio- não vem de doce, deve vir de outro lugar.
Da Itália fascista, a que o Duce mentiu amar,
E o -mar do seu nome é refugo de enlamear.
Minha terra tem muitos calhordas, mas o maior é Duciomar,
Não permita, Deus, que morra, minha Belém do Pará.
Dê um jeito de ajudar a tirar ele de lá
Nem benzina resolve, vou tentar no alguidar.
O problema é que o sujeito não desgruda nem cai-prá-lá
Quem o elegeu foi Jatene, outro merda pra governar
No seu discurso de posse, ele falou que ia dar,
Mas com seus botões ele turge o seguinte mal pensar:
Essa cidade eu não a amo, nem a desejo governar,
O que eu quero é simplesmente, roubar, roubar, roubar
Os belemenses que se fodam ou se façam enrabar,
Não permita, Deus, que eu morra, sem destruir este lugar.
Minha terra tem mangueiras e é bonita de danar,
Mas o seu prefeito calhorda não a deixa deslanchar.
Não permita, Deus, que morra, minha Belém do Pará,
Dê um jeito de tirar esse prefeito de lá.
(Foto: Tarso Sarraf)
Blog do Bordalo BELC389M A NOITE Tarso Sarraf 032
O segundo texto é do jornalista Anderson Araújo, no blog Bêbado Gonzo:

 

Carta aberta para Belém

 Agüenta mão aí que está quase acabando. Falta menos de um ano para terminar o mandato do desprefeito, o senhor Duciomar Costa. Sei que está sendo duro, muito duro, e a senhora já está pelas tabelas, morre, não morre. Dia desses a senhora foi bater no Pronto Socorro com essa ânsia em ver tudo acabar e pôr fim à tortura e deu no que deu. Quase bate as botas na porta do Hospital sem atendimento, coitadinha. Eu te avisei, meu bem, eu te avisei que não valia a pena ir e o melhor remédio seria um chazinho, uma andiroba, um cataplasma ou, em casos piores, a extrema unção junto com os teus, deitadinha no aconchego do teu lar. A senhora não tem mais idade para essas aventuras. Já são 396 anos, afinal.

Ainda me lembro de ti, mocinha, bem novinha. Toda emperiquitada. Não recordo da minha memória, claro, mas da memória alheia, do que as fifis de porta de vila tanto falam de ti, dos teus saracoteios por aí. Primeiro no Teatro da Paz junto com a rapaziada de fraque e cartola cheirando aos dólares da borracha; depois no Grand Hotel, já balzaca, porém, ainda tchutchuca. Todo mundo fala que eras de parar o trânsito de charretes, uma morenaça. E eu acredito olhando agora – com todo respeito – tua carne murcha, mas ainda cheia de charme.
Lembro como se fosse hoje, doçura, as brigas feias por ti. Do pobre do tupinambá Cabelo de Velho morrendo na mão dos portugas, coitado. Do porradal renido que acabou com 300 e tantos mortos no Brigue, na época da adesão. Da mordição enciumada dos cabanos, massacrados sem piedade também. Tudo por ti, pra te ter, te usufruir. Quem mandou ser gostosa?
Só acho que esse pessoal que te ganhou na mão grande não te cuidou direito, meu bem. Desculpa te falar, mas acho que escolheste errado teu super-heroi. Sei que não foi culpa tua, que não te deram muita escolha, mas foi um erro. Dos feios, minha preta.
Quando o negócio começou a desandar, esses moços, ricos moços, te deixaram a ver navios. Retiraram todas as fichas e caíram fora o mais rápido possível. Lembro bem de gente que até tentou cortar os vínculos mais aparentes da tua época de ouro, minha lindeza. Jogaram os velhos casarões no chão e foram tentar a sorte em outro lugar, te deixando sozinha na mão dos sacripantas. Sim, os mesmos degenerados de sempre, que vão passando tua tutela de mão em mão. Mudam de cara, de endereço, até de sotaque, mas sempre te tratando com o mesmo desprezo que os rufiões despejam às suas funcionárias, exigindo a última gota de suor para levar o máximo que puder das noites e noites de trabalho forçado.
Já tem tempo, Belém, que eles te tratam assim, feito a preta velha, no fundo da cozinha, que embora considerada membro da família nunca sentará com o senhorzinho na sala de estar. 
Será sempre a lambaia, a mucama risonha, dócil que amamentou os filhos todos do dono da casa, envelheceu feliz sendo explorada e se contenta com as migalhas do resto da festa, encarando o pouco caso como afeto. Sabe, minha velha, meu amor, tu não mereces.
É por isso que te escrevo hoje, minha paixão. Não te quero apontar defeitos, não. As tuas ruas esburacadas entupidas de gente mal educada, teus bueiros transbordando, teu calor do inferno em lava quente, teus rios encobertos por prédios hediondamente horríveis, teus melhores filhos virando as costas para ti. Nada disso, minha linda. Eu que sempre reclamo demais, quero mesmo é te dizer que não mereces nada do que andam te aprontando, que tudo é um equívoco, que somos culpados e viemos hoje, eu sei que só hoje, rogar de joelhos, com os olhos rasos d’água, que tu nos perdoe.
Te fizeram festa. Uma, duas, três, mil delas. Te trouxeram uma estrela da Bahia; te ofereceram bolos gigantes; pintaram teu céu de fogos; te cantaram poemas – alguns terríveis, ruins -; reprisaram aquelas imagens batidas das mangueiras, do açaí, do peixe fresco, do sorriso e da chuva; cantaram os velhos hinos de sempre. Sei que tu olhas calada, minha Belém, com o rosto inerte de quem está cansada, exausta; de quem já não crê nessa palhaçada toda; de quem está para mandar tudo ao caralho de tanta impaciência.
E tens toda razão, minha princesa. Não mereces remendos, nem restos, nem raspas, nem o amor frívolo eventual por causa do dia te hoje. Merece o amor eterno todo dia. Não aquele amorzinho de nada, mas o dedicado à namorada nova, à amante tarada. Um amor quente, como quente tu és.
Merecias de verdade uma vida de rainha em trono de ouro, em reino de paz, banhada em fortuna para que nunca mais os que aqui moram exclamassem “pobre Belém”, nem os que aqui chegam pudessem aspirar o sopro da decepção.
Dias melhores virão, minha gata, minha flor. Hoje te mando esse recado, meio acanhado. Sei que estás assediada demais por causa da data. São muitos os galanteadores. Mas quando tudo passar e todos voltarem às rotinas e te deixarem quieta no teu canto de sempre, dá uma olhadinha, lê com carinho, não esquece de mim.
Espero que tudo se ajeite, esse tempo ruim passe logo, e ano que vem eu possa ir à tua festa tomar um café, comer uma tapioca. Esse ano nem deu, porque não gosto de axé music, mas prometo levar meu abraço de filho a hora em que a farra der lugar ao habitual esquecimento dos tantos que hoje te celebram.
Até, minha velha, meu amor.
Eu te amo.

 

 


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