Novo delírio de Dudu: expulsar 500 trabalhadores do Mercado de São Braz para fazer ali um Centro de Convenções

Blog do Bordalo mercadosbraz

Mercado de São Braz, bela construção inaugurada em maio/1911 e onde trabalham mais de 500 profissionais que Duciomar agora quer expulsar. Outro delírio de nefastas consequências.

 Denunciei hoje no meu twitter  que o (des)prefeito de Belém, Duciomar Costa tem verdadeira fixação com obras mirabolantes e sem qualquer planejamento, combinado com despejo de trabalhadores persmissionários, como os que ganham seu sustento no Mercado de São Brás. Ali trabalham feirantes,   artesãos, eletricistas e profissionais autônomos que  compõem as cooperativas que fazem parte do mercado.

É uma obra sem nenhum planejamento, um delírio com muitas consequências ruins para a cidade e seus trabalhadores. É como se o prefeito dormisse, no meio da noite tivesse um sonho e acordasse com o desejo: vamos tirar os 500 trabalhadores do Mercado de São Braz e construir ora um teatro e agora, um centro de convenções.

Foi assim em novembro de 2006, eu era vereador de Belém pelo PT e o Dudu retirou 500 trabalhadores – de novo, os 500 – para fazer um Teatro Municipal, que era o delírio de 2006, sem nenhum planejamento.

Agora é um Centro de Convenções, sem que Dudu veja aspectos sociais e trabalhistas envolvendo os atuais 500 permissionários que lutam para sobreviver atuando no Mercado de São Brás.

Assim como em seus delírios não leva em conta os trabalhadores, não observou também que o Mercado de São Braz é uma construção antiga, inauguardo em 21 de maio de 1911, tombado pelo patrimônio histórico, o que implica limitações para construções e reformas.

Tanto o Teatro Municipal como o Centro de Convenções são possibilidades de novos negócios ou negociatas no balcão que o prefeito transformou Belém nestes oito anos. São delírios que custam caro para os trabalhadores, para a população e para as gerações futuras. As gerações de hoje já sentem o peso da especulação imobiliária construindo na orla de Belém, amentando  sobremaneira o calor e quebrando a sustentabilidade ambiental.

 Indago a Dudu:Por que ao invés expulsar os 500 trabalhadores do Mercado de São Braz sem apontar nenhuma possibilidade de nova alocação criando uma nova invenção, o prefeito não conclui as obras que iniciou há oito anos e que se arrastam incompletas?

Leia aqui o que disse hoje no meu twitter sobre o assunto:



Carlos Bordalo

Obra da Prefeitura de Belem no Mercado de Sao Braz fecha mais 500 postos de trabalho   
 



Carlos Bordalo

Projeto “centro de convencoes“no Mercado de Sao Braz: Desespero de Dudu p/ mostrar servico, fecha + de 500 postos de trabalho
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Carlos Bordalo

Obra Eleitoreira de Dudu, ameaca mais de 500 trabalhadores do mercado de Sao Braz Costa
 
Parabenizo São Paulo, que completa hoje 458 anos e recomendo a leitura do artigo de Marcos Climbra, publicado na Carta Capital desta semana. Ainda hoje falarei aqui sobre o apoio da AS (Articulação Socialista) ao companheiro Alfredo Costa na disputa das prévias do PT em Belém:

O peso das eleições municipais
O ano mal começou, mas as atenções do meio político já se voltam para as eleições municipais de outubro. Tendemos a dar-lhes uma importância que, raramente, têm. Talvez por sermos um país marcado pela excepcionalidade da democracia – o que nos leva a considerar qualquer eleição como “fundamental” -, talvez por fazermos uma analogia equivocada com o processo político de outros países, não costumamos olhá-las pelo que, efetivamente, representam.
 
Elas não equivalem, por exemplo, às eleições “de meio período” norte-americanas, embora ocorram, aqui e lá, sempre no segundo ano de uma administração. Nos Estados Unidos, como em outros países, as chamadas midterm elections renovam parte do Legislativo nacional e servem de aferição de aprovação presidencial na metade do mandato. Ter nelas um mau desempenho (como aconteceu, em 2010, com o Partido Democrata), é visto como sinal de dificuldades na eleição seguinte.
 
No Brasil, não faz sentido imaginar que os votos nos candidatos a prefeito ou vereador sejam manifestações a favor ou contra o presidente e seu governo. Temos uma ampla evidência, baseada em estudos e pesquisas, que mostra que a vasta maioria dos eleitores não escolhe dessa maneira os ocupantes desses cargos.
 
Desde a redemocratização, somente em 1988 tivemos uma eleição em que uma pauta nacional foi relevante na escolha de prefeitos. É a exceção que confirma a regra. Depois de ter vencido, em 1985, as eleições em 19 capitais, e de ter feito, em 1986, 22 governadores (nos 23 estados então existentes), o PMDB de Sarney encolheu em 1988. Manteve apenas quatro capitais, enquanto os partidos de esquerda (PT, PDT e PSB) ganharam em dez, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.
 
Muitas coisas explicam esses resultados, entre as quais os episódios de Volta Redonda, a uma semana da eleição, quando três operários em greve foram mortos por tropas do Exército, na entrada da Companhia Siderúrgica Nacional. Nem precisa dizer o quanto isso chocou o País, recém-saído da ditadura.
 
Em questão de dias, as pesquisas mostraram o crescimento de candidaturas de oposição ao governo, com claro indício de que estava em formação uma onda de votos de protesto. Começou a ficar claro, ali, o quadro muito desfavorável ao Sarney e ao PMDB, que se concretizaria na eleição presidencial do ano seguinte. Em 1989 foram 22 candidatos, todos contra Sarney.
 
Em nenhuma eleição municipal subsequente tivemos coisa parecida. Todas ocorreram na normalidade, sem eventos traumáticos que atingissem o eleitorado como um todo. Sequer o impeachment de Collor, a três dias das eleições de 1992, teve esse efeito. Por isso, o que aconteceu nelas teve pequena ou nenhuma consequência na eleição presidencial a seguir. Ao contrário do que imaginam alguns, elas nunca foram uma antessala, uma prévia, do que ocorreria dois anos depois.
 
Perder ou ganhar em muitas cidades não faz com que um partido se saia melhor ou pior na hora de escolher presidentes. Os partidos campeões em prefeitos (como o PMDB e, antigamente, o PFL) nunca se saíram bem, enquanto o PSDB e o PT, partidos apenas médios nesse quesito, venceram todas as últimas.
 
Triunfos em São Paulo, no Rio e nas grandes capitais não querem dizer (quase) nada. Nem Collor, nem Fernando Henrique, nem Lula precisaram ter prefeitos “seus”nessas cidades para chegar ao Planalto (ou lá permanecer). O mesmo aplica-se a Dilma e voltará a valer caso ela queira disputar o segundo mandato.
 
Quem precisa mesmo de prefeitos (e vereadores) são os candidatos a deputado de base local, para os quais o voto territorialmente determinado é fundamental ou, no mínimo, um complemento relevante da “cesta de votos”. É por seu impacto na composição da Câmara que as eleições municipais mobilizam as cúpulas nacionais dos partidos.
 
Em outras palavras: elas importam pouco na definição de quem vai ganhar a eleição presidencial, mas são decisivas para entender como funcionará o governo. A força relativa dos partidos, seu peso no ministério, o papel que desempenharão no Congresso, tudo isso depende de como se saírem nelas.
 
As eleições municipais são importantíssimas para as cidades e seus moradores. Na nossa administração pública cabe aos municípios assumir responsabilidades por políticas cruciais, especialmente para os pobres. Sem bons prefeitos e vereadores, sua vida concreta fica ainda mais difícil.
 
É por isso que os eleitores procuram escolher o que de melhor lhes é oferecido. Para alguns (poucos) basta saber de que lado estão os candidatos, a qual partido pertencem. Para a maioria, no entanto, a decisão costuma derivar da difícil avaliação dos atributos pessoais dos concorrentes.
Em 2008, Lula batia recordes de popularidade e a economia vivia ótimo momento. O PT fez 559 prefeituras (pouco mais que 10% do total) e só venceu em uma (Fortaleza) das cinco maiores cidades. Curado da doença, ajudará seu partido mais do que quando estava no poder? Até que ponto?



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