Mário Couto perde mais uma chance de ficar calado. Vai sair a CPI do Cachoeira

O senador Mário Couto, do PSDB-PA, perdeu mais uma oportunidade para ficar calado. Ele e parte da mídia ficara, nos últimos dias tentando induzir a opinião de que o PT não queria a CPI. Mário Couto, no seu conhecido estilo truculento, chegou a trombetear que duvidava se saísse a CPI do Cachoeira, alegando que o PT não tem interesse na Comissão Parlamentar de Inquérito. Ao todo, 91 deputados do PT assinaram o requerimento pedindo a instalação da CPI.

E agora, Mário Couto?

A CPI vai sair e já nesta quinta-feira os líderes indicam os nomes que comporão a CPMI – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Será formada por 16 deputados federais titulares e 16 senadores.

O escândalo Cachoeira pega de cheio dois governadores do PSDB, o arauto da moralidade, senador Demóstenes Torres e até o PPS.

Louvo a presença firme do PT na instalação da CPI do Cachoeira e registro aqui carta do presidente da Câmara dos Deputados, deputado do PT, Marco Maia, em que o nobre companheiro tritura a Veja e faz excelentes esclarecimentos. Leia:


Por que a Veja é contra a CPMI do Cachoeira?

Blog do Bordalo marcomaia
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia.

Tendo em vista a publicação, na edição desta semana, de mais uma matéria opinativa por parte da revista Veja do Grupo Abril, desferindo um novo ataque desrespeitoso e grosseiro contra minha pessoa, sinto-me no dever de prestar os esclarecimentos a seguir em respeito aos cidadãos brasileiros, em especial aos leitores da referida revista e aos meus eleitores:

– a decisão de instalação de uma CPMI, reunindo Senado e Câmara Federal, resultou do entendimento quase unânime por parte do conjunto de partidos políticos com representação no Congresso Nacional sobre a necessidade de investigar as denúncias que se tornaram públicas, envolvendo as relações entre o contraventor conhecido como Carlinhos Cachoeira com integrantes dos setores público e privado, entre eles a imprensa;

– não é verdadeira, portanto, a tese que a referida matéria tenta construir (de forma arrogante e totalitária) de que esta CPMI seja um ato que vise tão somente confundir a opinião pública no momento em que o judiciário prepara-se para julgar as responsabilidades de diversos políticos citados no processo conhecido como “Mensalão”; 

– também não é verdadeira a tese, que a revista Veja tenta construir (também de forma totalitária), de que esta CPMI tem como um dos objetivos realizar uma caça a jornalistas que tenham realizado denúncias contra este ou aquele partido ou pessoa. Mas posso assegurar que haverá, sim, investigações sobre as graves denúncias de que o contraventor Carlinhos Cachoeira abastecia jornalistas e veículos de imprensa com informações obtidas a partir de um esquema clandestino de arapongagem; 

– vale lembrar que, há pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar as portas por denúncias menos graves do que estas. Isto sem falar na defesa que a matéria da Veja faz da cartilha fascista de que os fins justificam os meios ao defender o uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos; 

– afinal, por que a revista Veja é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a Veja ataca esta CPMI? Por que a Veja, há duas semanas, não publicou uma linha sequer sobre as denúncias que envolviam até então somente o senador Demóstenes Torres, quando todos (destaco “todos”) os demais veículos da imprensa buscavam desvendar as denúncias? Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa? Vai mal a Veja!; 

– o que mais surpreende é o fato de que, em nenhum momento nas minhas declarações durante a última semana, falei especificamente sobre a revista, apontei envolvidos, ou mesmo emiti juízo de valor sobre o que é certo ou errado no comportamento da imprensa ou de qualquer envolvido no esquema. Ao contrário, apenas afirmei a necessidade de investigar tudo o que diz respeito às relações criminosas apontadas pelas Operações Monte Carlo e Vegas; 

– não é a primeira vez que a revista Veja realiza matérias, aparentemente jornalísticas, mas com cunho opinativo, exagerando nos adjetivos a mim, sem sequer, como manda qualquer manual de jornalismo, ouvir as partes, o que não aconteceu em relação à minha pessoa (confesso que não entendo o porquê), demonstrando o emprego de métodos pouco jornalísticos, o que não colabora com a consolidação da democracia que tanto depende do uso responsável da liberdade de imprensa.

Dep. Marco Maia,
Presidente da Câmara dos Deputados
Em 15 de abril de 2012


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