Líder sindical assassinado é homenageado em Moju

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“Virgilio,
a tua luta não foi em vão”.
A frase
acima ecoou no último sábado (08), num auditório lotado, no município de Moju.
Trabalhadores rurais, sindicalistas, professores universitários e diversas
personalidades ligadas à luta pela reforma agrária e pelos direitos humanos no
Pará prestaram homenagens ao líder sindical Virgílio Serrão Sacramento,
assassinado no dia 05 de abril de 1987. Para marcar os 30 anos da morte de
Virgílio, o Sindicato dos Trabalhadores Agricultores e Agricultoras Rurais em
Regime de Agricultura Familiar de Moju realizou uma extensa programação com o
tema “Dia de Memória, Luta e Resistência em Favor da Vida e do Planeta”.
Um dos
momentos mais emocionantes foi a inauguração do auditório de entidade, batizado
em homenagem ao sindicalista. Uma pequena cerimônia marcou a abertura do
espaço, com a presença da viúva de Virgílio, dona Maria Sacramento, e seus filhos.
O deputado Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos e
Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Pará, participou da
homenagem.
“Uma
das lutas de meu pai foi pelo acesso à educação. Além de trabalharmos na roça,
ele sempre fez um esforço enorme para que cada filho pudesse estudar, às vezes
levando uma latinha com farofa de ovo para a merenda, percorrendo longas
distâncias de bicicleta. O sonho dele era formar todos os filhos, e os filhos
dos trabalhadores rurais, com a interiorização da universidade”, lembrou Elias
Virgílio. “O sonho do trabalhador rural é continuar na terra, mas com recursos
para investir e melhores condições para seus filhos. Hoje, quando vejo filhos
de trabalhadores rurais conseguindo acesso à universidade, sei que a luta dele
não foi em vão”.
O
deputado Carlos Bordalo lembrou do grave momento de ameaça e perseguição aos
defensores de direitos humanos no Brasil, com o crescimento de ideias fascistas
e a perda de direitos históricos conquistados pelos trabalhadores. “A gente se
pergunta até quando a violência contra os trabalhadores rurais vai continuar.
E, tão grave quanto, é a violência urbana, que vem crescendo de forma
preocupante. Por isso, clamamos por Justiça, para Virgílio e tantos outros que
nem foram registrados, mas tombados pela disputa pelo latifúndio”, disse o
parlamentar.
Durante
a semana, Carlos Bordalo fez um pronunciamento na tribuna da Assembleia
Legislativa do Pará, em homenagem à memória de Virgílio Sacramento. O
sindicalista foi assassinado quando retornava para sua casa, no dia 05 de
abril, às 16h, levando o jantar para sua família. Foi bruscamente atropelado em
sua moto, sem nenhuma chance de defesa. Seu assassino e os mandantes nunca
foram condenados.
“Há uma
escalada de assassinatos de ativistas ambientais no mundo inteiro. O relatório
da ONG internacional Global Witness destaca que o Brasil e o Camboja são os
países mais afetados pelo problema. A entidade estima que aproximadamente mil
pessoas foram assassinadas por essa razão na década passada. O Brasil tem uma
vergonhosa liderança nessa lista, com 365 assassinatos de líderes
conservacionistas neste período”, afirmou o deputado, lembrando de nomes como
Chico Mendes e Dorothy Stang, morta há dez anos por defender o uso sustentável
da floresta.   


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