Leopoldo Vieira: Depois do “Não”, juventude paraense tem que pensar seu projeto de estado

Nesta lamentável conjuntura de  abandono da juventude paraense, por parte do governo Jatene, recomendo a leitura do artigo do jornalista Leopoldo Vieira:
Por Leopoldo Vieira*

Com 66% dos votos, a divisão do Pará foi rejeitada com média de 90% de adesão ao Sim nas regiões que seriam o estado de Carajás e Tapajós, mas também com a mesma média de apoio ao Não no que seria o “Parazinho”.

É impossível saber exatamente do voto na urna, mas os relatórios da última pesquisa do Datafolha apontou uma opinião dos jovens pelo Não ainda maior do que o resultado final:
Entre 16 a 24 anos, 67% Não e 31% Sim.

Contudo, é óbvio que com apoio de 90% à divisão nas regiões separatistas, há de se reconhecer que os jovens destas também compuseram amplamente essa mesma opinião. O mesmo ocorrendo, ao inverso, na região que “sobraria”.

São sentimentos distintos entre a juventude paraense. Uma parte, apostando que os novos estados seriam maiores oportunidades de realizarem seus projetos de vida nos moldes que acreditam que sejam os de Belém ou até superiores. Outra, querendo assegurar a unidade territorial do estado, mas prenhe da certeza de que os rumos da política de integração precisam ser mudados.

Agora, o desafio é limpar o terreno. Primeiro, mostrando que a unidade política em torno desses temas juntou, pela polarização divisão x não-divisão setores que podem ser alternativas para um novo modelo de desenvolvimento estadual com setores que apenas queriam manter suas redes de poder ou eliminar os “atravessadores” desta, encastelados, segundo visão pedominante, na rgeião Nordeste parauara. E nenhum dos setores ligados aos grandes interesses econômicos que, de fato, fizeram o Pará “parar por aqui” servem ao futuro.

Agora é pensar “prafrentemente” e construir geracionalmente o projeto político comum capaz de transformar profundamente o Pará, para conquistar os almejos de todos os jovens sejam eles do Carajás, Tapajós ou do “Parazinho”.

Esse é o desafio por dentro do Conselho de Juventude, cuja luta por sua democratização e efetiva institucionalização deve ser retomada, como no âmbito das organizações juvenis partidárias ou sociais.

Uma agenda, sem dúvida, é vital e central para o futuro do Pará e sua integração social, cultural, territorial, econômica e presença do poder público, e se trata de uma outra possibilidade de superar um fracasso histórico de gerações passadas: nosso minério, que estão para nós (ainda) como “passaporte do futuro” tal como o pré-sal para o Brasil.

Após décadas de pilhagens das nossas riquezas de parte dos “grandes projetos” aqui implementados, que não deixavam uma fábrica de panelas, nossas elites locais, sócias subalternas das elites nacionais e do imperialismo, por meio da Lei Kandir e através de seus governos, passaram a beneficiar corporações mineradoras altamente rentáveis com volumosa isenção de tributos para exportação de commodities, ou seja, matérias primas em estado bruto para serem industrializadas, agregando valor, emprego, renda, competitividade, diversidade, produtividade, em e a outros países, especialmente os do centro capitalista (G-8), China, e Tigres Asiáticos .

Com uma alteração deste padrão e desta legislação poderíamos combinar uma revolução industrial no Pará- em moldes adequados à Amazônia – e a universalização, qualidade e capilaridade dos bens e serviços públicos. Para se ter uma idéia desse crime que é a marca fundamental do nosso subdesenvolvimento dentro do país, essa isenção soma um montante R$ 2 bilhões enquanto o orçamento do Pará é de R$10 bilhões.

Por isso, vale a pena aos jovens de vanguarda, neste quadrante histórico paraense,  encampar uma bandeira que hoje materializa essa angústia histórica: a PEC 92/2011, que “prevê o fim da Lei Kandir para a exportação de bens não-renováveis a ser vinculado a criação de um fundo de fomento a industrialização, a ciência e a tecnologia”.

Para além disso, como nos lembra o advogado Marcelo Costa, em entrevista de 07/04/2011 ao blog do deputado estadual Carlos Bordalo, outra questão fundamental, é que sobre as atividades econômicas que para cá se deslocaram e seguem vindo (pólo de biodiesel, investimentos da Vale, Alcoa licenciamentos ambientais como o de Belo Monte, protocolo dos bancos públicos BASA, BNDES, etc), deve ser estabelecido um percentual significativo para investimentos em políticas de juventude.

A quantidade de jovens que o Pará dispõe hoje revela que a sociedade dispõe de uma reserva de desenvolvimento que a depender dos investimentos pode assegurar ao estado uma expansão extraordinária e de longo prazo de desenvolvimento econômico e social.

Quando o governo Jatene abre esse debate estratégico com uma nova taxa de mineração, acredito que essas são duas propostas a serem disputadas na sociedade.

*Direção Nacional da Juventude do PT, editor do blog Juventude em Pauta! Autor de “A Juventude e a Revolução Democrática”


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