A divisão do Pará em pauta

Blog do Bordalo divisao estado

Outra polêmica (leia nota abaixo) que abordarei a partir dos próximos dias é a questão da divisão do Pará, onde a população cobra posições claras das autoridades, com toda a razão diga-se de passagem, e este blog não pode se furtar a essa discussão.

Se é verdade que historicamente os braços do Poder Público não deram conta de promover a integração do estado, principalmente no que tange à equidade de investimentos e acesso aos serviços e equipamentos públicos, temos que rechaçar os poderíssimos interesses econômicos por trás dessa campanha, em especial as grandes empresas que se forjaram na era dos “grandes projetos” para a Amazônia, os interesses políticos dos que empunham essa bandeira em busca do controle do poder sobre tais regiões do estado, muitas vezes associados aos anos de desgovernos que pouco ou nada fizeram para assegurar a presença do Estado em todo o território paraense, quadro este que vem sendo revertido pelo governo do PT.

Portanto, não devem restar dúvidas de que esse debate tem que ser diferenciado, uma vez que Carajás, por exemplo, tem recebido maciço investimento e se estruturado através da ação governamental. Por outro lado, Tapajós tem uma razão geográfica que, de fato, impõem dificuldades maiores pra integração do estado.

É fundamental também rejeitar a tese segundo a qual existe “região inviável”, quando sabemos que há sim é região sem projeto, advindo do planejamento público-estatal. A tese segundo a qual há uma “guerra” entre paraenses e não-paraense, até para afirmar o óbvio: enquanto somos “uno” somos todos parauaras e unificamente soberanos por essa decisão, não havendo cabimento para a idéia de “votam os interessados” no plebiscito justo, legítimo e necessário, devendo ser, então, democrático, o que só é possível nesses termos da “unidade para decidir”.

A questão central é que com a divisão o Pará perderá as riquezas minerais importantes para seu desenvolvimento e capazes, se bem distribuídas, de fomentar o progresso – com justiça social e ambientalmente sustentável – para todas as partes; que uma divisão assim a “toque de caixa” é tão nociva e desproporcional como seprarar norte e sul do Brasil e que devem ser considerados os pontos e contrapontos dos estudos que indicam a viabilidade e a inviabilidade desse cisma, tais quais os que afirmam a viabilidade e a inviabilidade do próprio território restante desta divisão.

Nesse sentido, convidarei ao longo de março/abril defensores da divisão e da unidade para exporem seus pontos de vista aqui no blog, jamais me furtando de expor minhas impressões de homem público que sou e honrador do voto a mim depositado pelo povo.


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  1. Meu caro Bordalo, permita-me parabeniza-lo pela iniciativa de debater este tema e, também, permita-me opinar sobre o assunto.
    Morei em Tucuruí no início da construção da hidrelétrica, na década de 1970, onde meu pai ali trabalhou e depois voltei a residir naquela cidade na década de 1990. É impressionante como os moradores daquela região se sentem "distantes" do Estado do Pará. Cito aqui apenas, apenas, um ponto: a falta de rodovias trafegáveis. Poderia citar vários outros aspectos. Se você for mais pra baixo no mapa (Marabá, Parauapebas, Canaã dos Carajás, etc.) vai ver que a realidade é a mesma.
    Mas o que me intriga é exatamente a "quastão central": as riquesas minerais estão lá! E com a divisão do Pará, nosso lado aqui, hoje moro em Castanhal, perderá. Eles, aquela região sudeste do Pará, apesar de ricos, ficam a ver navios.
    É preciso de fato distribuir de modo mais eficaz esta riqueza. Verticalizar a produção. Inserir aquele povo no seio do desenvolvimento deste Estado.
    Vale lembrar que para o Estado do Tocantins a sua criação com a divisão do Estado do Goiás foi positiva. E Goiás continua sendo Goiás.
    Antes de defendermos ou não a divisão precisamos massificar este debate.
    E sei que v. exc. assim o fará no Parlamento.
    Atenciosamente,
    Marcelo Bulhões.

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  2. Já linkei seu blog, vou deixar meu contato pra você me linkar em seu blog: http://blogdoclaudioyoshi.blogspot.com/

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  3. Parabéns pelo espaço democrático que o sr. vai abrir. O Pará precisa discutir essa questão a fundo, com muitos momentos, exposição do contraditório pra melhor definir o rumo da nossa terra.

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  4. Bordalo, muito pertinentes seus argumentos "neutros" CONTRA a divisão do estado. Parece aquela história do "Plebiscito CONTRA a dívida externa" que o MST fazia nos anos 90. Hahahahahaha

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  5. Pontuaste bem Bordalão: Santarém é uma coisa, Marabá outra coisa. Para cada mal seu remédio.

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  6. Deputado esse seu lenga é o lenga-lenga histórico que o povo do sudeste e tapajônico tem escutado da burrocracia sim estalada em Belém. Já chega, agora vamos pra forra, que e dane se Belém vai ficar sem as riquezas, elas são nossas e há muito tempo, carregamos esse estado nas costas e temos os piores índices sociais. Acabou a farra. E tem que votar os interessados e não o complô contra a Soberania das regiões.

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  7. Correto mais uma vez sua postura deputado. Não dava para o PSDB (Zenaldo Coutinho) monopolizar essa discussão. Finalmente PT mostrou a cara, pq nem a governadora tinha coragem e a Bernadete e o Carlos Martins comem por fora a favor da divisão do Pará.

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  8. Parabéns , Bordalo! Político sério, de opinião não tem medo de enfrentar de peito aberto o debate com a sociedade.

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  9. Quem vai votar na enquete, todos os blogleitores ou só os do Tapajós e Carajás? Rsrsrsrs

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