Anúncio de trabalho infantil disfarçado como adoção vai ser investigado

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O absurdo publicado no caderno
de classificados de um jornal paraense, no fim de semana, já está na mira da
Polícia Civil e do Ministério Público do Trabalho. A proposta revela uma
cultura de desconsideração dos direitos da criança e do adolescente.

Lamentavelmente essa prática é antiga no
Pará: O recrutamento de crianças de famílias do interior, pobres, para serem usadas
em trabalho trabalho infantil, como babás. Trata-se de uma adoção disfarçada.

Felizmente, com as redes sociais atentas,
houve uma reação imediata da sociedade, e a consequente ação para punir esse
absurdo. A Comissão de Direitos Humanos da Alepa, da qual sou o presidente, vai acompanhar o caso.

A Polícia Civil, através da delegada Simone Etoron, da divisão de Atendimento a grupos de vulnerabilidade, já identificou várias pessoas envolvidas no anúncio do jornal. Além do casal,
um homem que se dizia advogado, e que não é, assumiu ter feito o anúncio e que é dono de uma
das linhas telefônicas publicadas, e mais uma quarta pessoa, dona de outra das
linhas telefônicas veiculadas. 

O tal falso advogado, na tentativa de explicar esse absurdo, disse que conheceu o casal em
um acidente de trânsito, e que se compadeceu porque eles precisavam de uma babá
para cuidar do bebê, e que se ofereceu para fazer o anúncio e pediu para usar a
linha da quarta pessoa. Como justificar a exigência da faixa etária de 12 a 18
anos, muito menos a adoção ilegal?

Vários advogados e membros do
Ministério Público, além de duas magistradas que coordenam a campanha estadual
de erradicação do trabalho infantil do TRT8 e TST, já se prontificaram em
cobrar explicações da direção do jornal e prometem uma investigação sobre o
caso e processar a família que anunciou a adoção ilegal.


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