Adesão do Pará à Independência do Brasil.

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Hoje é feriado no Estado do Pará. Dia da Adesão do Pará à Independência do Brasil.

O feriado existe somente há 13 anos e foi instituído pelo ex-deputado
estadual Zeno Veloso, que propôs que todos os outros feriados estaduais
fossem extintos com a criação desse feriado. Uma medida
“anti-feriadista”, segundo o próprio autor. Para propor a matéria, Zeno
inspirou-se na Lei Federal nº 9.093, de setembro de 1995, que obrigou os Estados a determinarem um dia para a comemoração da sua data magna.

A estrela solitária no círculo no azul acima da faixa branca com a
inscrição positivista “Ordem e progresso” na bandeira Nacional é uma
referência à adesão do Estado à Independência do Brasil em 15 de agosto
de 1823. Para muitos, a data não tem um significado, mas se trata de um
dos eventos históricos mais importantes e com consequencias trágicas
como o massacre do “Brigue Palhaço” e uma série de revoltas que
culminaram com a Cabanagem, em 1835.

O historiador e mestrando
em História Social da Amazônia pela Universidade Federal do Pará
(UFPA), David Salomão, afirma que, na época, início do século XIX, tanto
a província do Pará quanto a do Maranhão tinham suas elites locais mais
atreladas à Portugal do que ao resto da colônia. Ele comenta ainda que o
episódio da “adesão” remete a um pacto pacífico entre os militares
mandados por D. Pedro I e os que mandavam no Pará, quase todos de origem
europeia. “Mas, não foi bem assim. A ‘adesão’ não foi pacífica e levou a
revoltas sangrentas, inclusive à tragédia do ‘Brigue Palhaço’, que
poucos comentam, mas teve consequencias terríveis, com protestos por
várias cidades até outubro de 1823”, assinala.

O Pará esteve
por quase um ano depois do grito às margens do rio Ipiranga sem grandes
mudanças em relações à Coroa Portuguesa e só se integrou ao novo modelo
depois da chegada do militar John Pascoe Greenfell. De imediato, um
conselho com os ilustres da época foi convocado para deliberar sobre o
assunto e horas depois ficou acertado que o Pará era parte do Brasil
independente.

Ao contrário do que se pode pensar, a adesão do
Pará à Independência do Brasil foi muito mais um movimento de manutenção
da conjuntura da época: os portugueses que compunham a elite local
permaneceram em seus cargos e privilégios. A manutenção do status
desagradou grupos de nacionalistas. Dentre eles, o jornalista Felipe
Patroni e o cônego e advogado Batista Campos, ambos fundadores de “O
Paraense”, no qual divulgavam suas posições políticas.

Revoltados com a composição da junta provisória de governo, após a
adesão, os paraenses mandaram um documento aos donos do poder exigindo a
demissão de todos os portugueses, militares e civis, a fim de inaugurar
um novo momento político com maior participação de brasileiros em
decisões importantes da província. Depois do aviso, o grupo partiu para
tomar o poder e desbancar os portugueses e uma coluna militar contrária à
adesão exigiu a abertura das portas do depósito de armas portuguesas.
Temendo consequências piores, os portões foram abertos. Assim foi feita a
“limpeza” nos cargos públicos ocupados pelos lusos e Batista Campos foi
colocado como novo presidente da junta governativa.

Na mesma
noite do dia 16 de agosto, o militar Greenfell ordenou a prisão de todas
os suspeitos de participar da revolta, sem distinguir classe social. Na
manhã seguinte, para dar exemplo, escolheu cinco prisioneiros e mandou
fuzilá-los no Largo do Palácio do Governo. Batista Campos foi capturado e
colocado na boca de um canhão, que só não foi disparado por
interferência de portugueses ligados ao poder local. Os centenas de
civis e militares presos na revolta foram trancafiados primeiro na
cadeia pública da capital da província e depois encaminhados para o
porão de um barco à vela, o brigue “São José Diligente”, depois
denominado de “Palhaço”.

Os poucos sobreviventes do episódio
contaram que o espaço mínimo jogou no desespero os quase 300 condenados e
o calor insuportável os obrigou a pedir água. Quatro dias depois das
prisões, os militares jogaram água direto da baía de Guajará dentro de
um recipiente do porão, o que provocou mais tumulto. O medo de que a
massa compacta de homens fugisse da embarcação transformada em cativeiro
resultou em uma atitude drástica dos que tomavam conta do “Palhaço”:
tiros de fuzil e o lançamento de cal virgem no espaço que já era
sufocante pela superlotação. Às 7 horas do dia 22, o porão do navio foi
aberto e lá estavam 252 mortos e apenas quatro sobreviventes, sendo que
apenas um, citado na história como João Tapuia, resistiu depois de sair
do brigue.

Em outubro de 1823, o município de Cametá foi palco
de uma rebelião contra o morticínio no brigue “Palhaço” e o episódio
continuou ecoando em revoltas como as das vilas de Baião, Oeiras,
Portel, Melgaço, Moju, Igarapé-Miri, Marajó, Abaeté, Muaná e muitas
outras. O as mortes no brigue também compõe a lista de motivos que deram
origem a um dos episódios mais violentos da história do Pará: a
Cabanagem, revolta popular iniciada em 1835 e abafada de forma sangrenta
cinco anos depois.

Fonte: Walrimar Santos – assessor de imprensa da Policia Civil do Estado.

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