Abertura da pesca do Mapará, em Limoeiro do Ajuru, é patrimônio cultural e imaterial do Pará

Foto: Reprodução wikipedia / Railson Wallace
Em Limoeiro do Ajuru os
pescadores artesanais realizam todos os anos a Abertura da Pesca do Mapará, uma festividade que une preservação ambiental
e cultura, e que agora será considerada Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado
do Pará.

O reconhecimento como bem
cultural ocorreu na última terça-feira, 12, após ser aprovado na
Assembleia Legislativa (Alepa) o Projeto de Lei (PL) Nº 26/2017, de autoria do
deputado estadual Carlos Bordalo (PT). Para o parlamentar a manifestação
cultural expressa os laços de
solidariedade das comunidades amazônicas.

“Todos os anos essas
comunidades se reúnem em um momento memorável de cultura; porque cultura é
atitude é comportamento, cultura são valores. Então essa abertura de pesca expressa
valores extremamente positivos a serem cultivados e valorizados. É o valor da
coletividade em detrimento do individualismo, o valor da preocupação coletiva
pela preservação do que é o patrimônio de todos, porque rio, a piracema, que
é  reprodução da espécie, é o patrimônio
de todos nós”, explana.
A lei reconhece a
relevância do evento, que ocorre anualmente no município Limoeiro do Ajuru,
localizado na região do Baixo Tocantins como um movimento cultural, sustentável
e que gera renda para a população local.

De acordo com o Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os bens culturais de
natureza imaterial se referem à práticas e domínios da vida social; se expressam
em saberes, ofícios e modos de fazer sendo transmitidos de geração em geração; podendo
ser recriado em função do ambiente, da interação com a natureza e com sua história,
tecendo um sentimento de identidade e continuidade de práticas culturais
coletivas.
Sustentabilidade

Para combater a pesca
predatória do Mapará, os pescadores criaram regras chamadas de “Acordos de
Pesca” organizadas pelas comunidades locais com o auxílio de órgãos públicos e
organizações não governamentais. As regras foram criadas para o controle e
manutenção das atividades pesqueiras em que todos os envolvidos se comprometem
a utilizar a pesca de forma sustentável garantindo o período de
defeso de quatro meses antes do evento para a reprodução dos cardumes.

Após esse período, entre
os meses de novembro e fevereiro, o município realiza oficialmente a abertura
da pesca do Mapará, iniciando as atividades da pesca autorizada. Além da pesca,
a abertura apresenta programação cultural atraindo milhares de pessoas entre
pescadores, moradores e visitantes.

Nas primeira horas da
manhã, dezenas de pescadores lançam suas redes no rio Tocantins sob o olhar
atento da comunidade local. Todos os anos, no último dia de fevereiro,
moradores se reúnem para planejar a abertura da pesca que ocorre no dia
seguinte. São toneladas de peixe capturados neste dia, sendo parte destinada
aos pescadores e o restante ao mercado municipal.

A pesca na região do baixo Tocantins gera renda
e garante segurança alimentar às comunidades ribeirinhas. Por sua importância a
atividade está intrinsecamente ligada a cultura popular daquela região.
A
atitude responsável das pessoas é a garantia de que a reprodução das espécies
seja feita com sustentabilidade e para que a captura do pescado seja assegurada
no presente, mas preservada para gerações futuras.

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