Créditos: Fernando Martinez   Movimentos populares denunciam que a Delegacia de Conflitos Agrários (DECA), Ministério Público (MP) e a Justiça do Estado do Pará passaram a ser alvo de fazendeiros locais em Marabá, após a prisão do chefe da milícia rural do sudeste do estado.  José Iran dos Santos Lucena foi preso na última quinta-feira, […]

Movimentos denunciam pressão de fazendeiros para libertar chefe da milícia

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Créditos: Fernando Martinez

 
Movimentos populares denunciam
que a Delegacia de Conflitos Agrários (DECA), Ministério Público (MP) e a Justiça
do Estado do Pará passaram a ser alvo de fazendeiros locais em Marabá, após a
prisão do chefe da milícia rural do sudeste do estado. 

José Iran dos Santos Lucena
foi preso na última quinta-feira, dia 17, por polícias da DECA. Ele é
apontado como o líder da milícia armada em organizar as ações criminosas
encomendadas por fazendeiros.
Segundo a nota, após a
prisão um grupo de latifundiários estão marcando uma mobilização em frente ao
Fórum de Marabá com o objetivo de deslegitimar a ação da polícia. 
A Comissão Pastoral da Terra
(CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST), Federação dos Trabalhadores na
Agricultura do Pará (FETAGRI) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos
Humanos (SPDDH) assinam a nota e declaram que irão encaminhar um dossiê
completo do caso para o Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Humanos
(CNDH), Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e para o Secretário
de Segurança Pública do Pará, Wallame Fialho Filho, para solicitar
monitoramento do inquérito e da ação penal. 
Leia nota completa
A PRISÃO DO CHEFE DA MILÍCIA
ARMADA DOS FAZENDEIROS DO SUDESTE DO PARÁ
José Iran dos Santos Lucena
foi preso no último dia 17 por policiais da Delegacia Especializada em
Conflitos Agrários (DECA) de Marabá. Os mandados de prisão preventiva foram
expedidos pela justiça criminal, com base nas investigações realizadas na
operação longa manus. Além de José Iran foram presos ainda o filho dele,
Matheus da Silva Lucena e Hamilton Silva Ribeiro.
Tão logo a imprensa divulgou
a prisão do bando, as organizações de produtores rurais do Estado divulgaram
nota de protesto, deram inúmeras declarações e marcaram manifestação no fórum
de Marabá, condenando a ação da polícia e do Judiciário, saindo em defesa da
quadrilha chefiada por José Iran e exigindo sua imediata liberdade. Para os
fazendeiros, trata-se de um “pecuarista pai de família, honesto, empreendedor e
que foi injustamente preso”. Mas, por que os fazendeiros reagiram de forma tão
articulada e indignada contra essas prisões? A resposta é simples: José Iran
chefia a maior milícia armada com atuação no campo na região sudeste do Pará, a
serviço dos fazendeiros.
Na DECA de Marabá existem
inúmeras ocorrências feitas por grupos de trabalhadores/as rurais denunciando
as práticas violentas dos pistoleiros chefiados por José Iran. Há registros de
ações criminosas do grupo nas fazendas Nova Era, município de Itupiranga;
fazendas Gereba e Santa Tereza no município de Marabá; fazenda Petrópolis no
município de Tucuruí; fazenda Santa Clara, município de Parauapebas; fazendas
Bom Destino, Sossego e Santa Helena, no município de Anapu, entre outras. O
modos operandi da quadrilha é sempre o mesmo: contratado pelos fazendeiros eles
se deslocam para o local do conflito, simulam uma ação policial e utilizando um
arsenal de armas dominam as pessoas, espancam, queimam os barracos, motos e
carros dos posseiros, ameaçam e, em alguns casos, executam as lideranças. No
pacote criminoso contratado pelos latifundiários interessados está inserido um
batalhão de pistoleiros, armamento pesado, roupas camufladas, explosivos e
carros blindados. 
Ao dar cumprimento às ordens
de prisão, a operação retirou de circulação o chefe da milícia responsável por,
enfrentando uma das causas da violência no campo paraense. Por essa razão, a
DECA, o MP e o Judiciário local passaram a ser alvo dos fazendeiros.
Há muito, as entidades da
sociedade civil com atuação voltada ao monitoramento e acompanhamento de
conflitos fundiários no campo vem denunciando publicamente a atuação de
milicianos financiados por latifundiários, com objetivo de aterrorizar a vida
de trabalhadores/as rurais, sobretudo, aqueles que se encontram em situação de
acampamento ou em ocupações nas áreas rurais no sudeste do estado; região que
concentra o maior número de conflitos e assassinatos no campo no Pará e no
Brasil.
Em contraponto às pressões
exercidas pelas organizações dos produtores rurais, as entidades de direitos
humanos e os movimentos sociais que assinam essa nota vão encaminhar um dossiê
completo do caso para o Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Humanos
(CNDH), Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e para o Secretário
de Segurança Pública do Pará (Wallame Fialho Filho), entre outros, requerendo o
monitoramento do inquérito e da ação penal que será aberta para julgamento dos
crimes praticados pela milícia. 
Belém, 23 de janeiro de
2019.
Movimentos dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra – MST
Federação dos Trabalhadores
na Agricultura do Pará – FETAGRI
Comissão Pastoral da Terra –
CPT Pará
Sociedade Paraense de Defesa
dos Direitos Humanos – SPDDH.

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