A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) realiza nesta segunda-feira, dia 12, a partir de 9h, uma Sessão Solene em Homenagem a Paulo Fonteles Filho (1973-2017), um dos maiores defensores de direitos humanos da Amazônia. Filho do advogado e deputado estadual Paulo Fonteles, assassinado há 30 anos, Paulinho Fonteles, como era mais conhecido, foi líder estudantil, […]

Alepa realiza Sessão Solene em Homenagem a Paulo Fonteles Filho

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A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) realiza nesta segunda-feira, dia 12, a partir de 9h, uma Sessão Solene em Homenagem a Paulo Fonteles Filho (1973-2017), um dos maiores defensores de direitos humanos da Amazônia. Filho do advogado e deputado estadual Paulo Fonteles, assassinado há 30 anos, Paulinho Fonteles, como era mais conhecido, foi líder estudantil, dirigente comunista, parlamentar, estudioso, pesquisador e poeta. Realizada no Plenário Newton Miranda, a sessão solene marca um ano do falecimento de Paulinho e presta uma devida homenagem ao seu legado. O evento é aberto ao público. 

“A visão mais antiga que tenho de mim mesmo é ter nascido na prisão e ser filho de comunista”, costumava dizer Paulinho Fonteles. Seus pais foram perseguidos e presos pela Ditadura Militar e o pai assistiu a torturas da mãe, Hecilda, grávida de cinco meses. Antes do nascimento de Paulinho, os agentes teriam dito a ela que “filho dessa raça não deve nascer”.  Depois do parto, os militares teriam demorado a entregar o bebê para a família, porque não encontravam algemas que coubessem nos pulsos do recém-nascido. “Eles deviam me achar bastante perigoso!”, ironizou Fonteles em seu depoimento ao livro “Infância Roubada: Crianças Atingidas pela Ditadura no Brasil”, elaborado pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. 

Desde adolescente, ainda estudante no Núcleo Pedagógico Integrado (NPI), Paulinho começou a militância atuando no Grêmio Estudantil, chegando à direção da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) de Belém. Nos primeiros anos da década de 1990, estudou Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e militou na União Estadual dos Estudantes, no Rio de Janeiro. Foi então convidado pela veterana comunista Elza Monnerat para compor um grupo de trabalho com a missão de localizar desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia.

“Foram meses percorrendo a região ao lado de Sinvaldo Gomes, Zé da Onça, Peixinho, Diva Santana, Flávio Sacramento, Zé da Luz e Maria da Metade. Aqueles dias perdidos ainda vivem dentro da gente”, revelou Paulinho Fonteles. 
Paulo Fonteles Filho exerceu dois mandatos como vereador do PCdoB na Câmara Municipal de Belém, destacando-se na defesa dos direitos humanos, da produção cultural do povo amazônida, dos direitos da juventude com foco na educação de qualidade e no direito ao trabalho com dignidade. 

De 2009 a 2015, visitou a Região do Araguaia, e como grande observador da condição humana, passou a relatar sobre os causos daquela gente sofrida. Como ele próprio contava: “Me debruço a relatar as vivências dessa experiência, muitas vezes enfrentando o medo, o silêncio como regra e as longas viagens com meus companheiros pelos sertões deste país profundo e desigual”.

Resultou desta experiência o livro “Araguaianas”, em parceria com o cartunista paraense Paulo Emmanuel, editado pela Fundação Maurício Grabois. Paulo Fonteles foi Ouvidor do Grupo de Trabalho Tocantins (2009/2011) e do Grupo de Trabalho Araguaia (2011/2015), ambos do governo federal. 

Como pesquisador dos desaparecidos políticos, Paulo Fonteles Filho tornou-se cada vez mais um ardente defensor do direito ao exercício da justa política. Um incentivador dos profissionais que produzem audiovisual, em especial para o registro da cultura popular e para a difusão da memória histórica do povo brasileiro. 

O protagonismo nos Grupos de Trabalho Tocantins e Araguaia deu ao jovem Paulo Fonteles a oportunidade de, junto com entidades democráticas e personalidades, construir o Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça, assegurando estreita relação com os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. Esse exercício levou à criação da Comissão da Verdade do Pará, importante vitória democrática dos paraenses. 

O compromisso firmado por Paulo Fonteles Filho de honrar o legado do pai foi permanente em sua vida. Com o apoio dos irmãos, amigos e camaradas, conseguiu concretizar o sonho de criar o Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos, entidade não governamental, sem fins lucrativos, que desenvolve projetos em defesa dos movimentos sociais, da democratização da comunicação e do resgate da verdade, memória, justiça e reparação das vítimas da Ditadura Militar no Brasil. Paulo Fonteles Filho faleceu em 26 de outubro, em decorrência de uma pneumonia.  

SERVIÇO: Sessão Solene em Homenagem a Paulo Fonteles Filho (1973-2017). Nesta segunda-feira, dia 12, às 9h, no Plenário Newton Miranda, da Assembleia Legislativa do Pará. Evento aberto ao público. 

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