Bordalo repudia violência no Pará e cobra ações de segurança

Foto: Diário do Pará / Reprodução 

O deputado estadual Carlos Bordalo, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), repudia a escalada de violência no Estado. Menos de 24 horas após o registro de dez assassinatos na Região Metropolitana de Belém, a população assistiu ao lamentável episódio da rebelião no Complexo Penitenciário de Santa Izabel, que resultou em 21 mortes. 

As mortes violentas na RMB começaram horas depois do assassinato de um policial militar, no Bairro da Sacramenta. Um cabo da PM também foi morto, alvejado no Bairro 40 Horas. Já chega a 19 o número de PMs assassinados nos primeiros meses de 2018 no Pará. Segundo a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militar do Pará, um policial é morto a cada quatro dias no Estado. 

Uma mulher, identificada como Priscila Camila Oliveira de Sousa, 31 anos, foi a última vítima da chacina. Ela foi executada com cinco tiros, por volta das 19h, na travessa 9 de Janeiro, entre São Miguel e 3 de Maio, no Bairro da Cremação. Segundo informações, homens desceram de um carro e atiraram na vítima, que cumpria medida socioeducativa. 

Outros casos ocorreram no Distrito Industrial, Conjunto 40 Horas, Conjunto Icuí-Guajará (Ananindeua) e, em Belém, um caso foi registrado no Satélite, outro no Ariri Bolonha e outro no Tapanã, entre 14h30 e 18h. 

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) confirmou a ocorrência de onze homicídios nesta chacina e informou que um gabinete especial foi criado com os comandos de policiamento Civil e Militar para reforçar o policiamento em Belém e na Região Metropolitana. 

RANKING 

Belém está na décima posição no ranking das 50 áreas urbanas mais violentas do mundo, com 71 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, segundo a Organização de Sociedade Civil Mexicana Segurança, Justiça e Paz. O levantamento é feito anualmente, com base em taxas de homicídios por 100 mil habitantes.

O dado pode ser considerado assustador, pois a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera uma taxa acima de 10 homicídios/100 mil habitantes como características de violência epidêmica.

“A população segue sem muita esperança de melhorias, apenas com os sentimentos de medo e preocupação, sem saber o que esperar do futuro.  Protocolei requerimento com pedido de informações à Secretaria de Segurança Pública para que nos diga quais medidas, em caráter emergencial, estão sendo adotadas para combater a violência e a criminalidade no nosso Estado, especialmente em Belém e na Região Metropolitana”, disse o parlamentar.

Bordalo, no entanto, é contra a intervenção militar no Estado. Ele defende a colaboração entre as esferas federal e estadual para que a crise na segurança pública seja enfrentada com ações efetivas. O deputado também acredita que a violência é resultado da falta de políticas públicas direcionadas aos jovens da periferia. Não há programas de qualificação para o mercado de trabalho, assim como inexistem investimentos em educação de qualidade. 

Bordalo foi relator da CPI das Milícias, realizada entre o final de 2014 e o início de 2015, para apurar a existência dos grupos de extermínio após uma chacina ocorrida no dia 4 de novembro de 2014, quando foram registradas onze mortes. As recomendações da CPI das Milícias até hoje não foram atendidas pelo Governo do Estado. 

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