Haddad sobre 2018: “Vamos deixar o povo decidir”

Em visita a Belém, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad, um dos principais nomes do Partido dos Trabalhadores (PT), cumpriu uma agenda extensa. Na sexta-feira (01), à tarde, ministrou a palestra “Desafios para a Educação Pública no Brasil”, no Centro de Eventos Benedito Nunes, na Universidade Federal do Pará (UFPA). À noite, participou do lançamento do programa “A Belém que o Povo Quer”, promovido pelo Diretório Municipal do PT, no Hotel Sagres. E na manhã deste sábado (02), visitou a II Feira Estadual da Reforma Agrária, realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Mercado de São Braz, juntamente com o deputado estadual Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alepa, e a direção do partido.   

A feira reúne parte da produção dos acampamentos e assentamentos do MST no Pará. Até amanhã (03), estão sendo comercializados diversos produtos, como frutas, verduras, derivados da mandioca (farinha, goma e tapioca), geleias de cupuaçu, manga e acerola, queijo e doce de leite, além de artesanato, livros, camisas e acessórios. À noite, tem programação cultural com artistas locais. 

Atualmente, o MST está presente em 38 áreas do Estado, entre acampamentos e assentamentos, dos quais quatro estão ameaçadas de reintegração de posse. Clívia Regina, coordenadora estadual de Educação do MST, explica que as feiras não são apenas um espaço de comercialização de produtos, mas representam uma oportunidade de diálogo com a sociedade. “Por isso escolhemos o centro da cidade, para mostrar que o movimento continua resistindo, e que a reforma agrária é uma luta mais ampla, de direito à terra e à produção, mas também de valorização da educação, da arte e da cultura”, explicou. 

Além de visitar as barracas e conversar com os agricultores, Fernando Haddad e Carlos Bordalo acompanharam as etapas de produção de farinha, numa réplica de casa de farinha instalada no local. Ao final da visita, Haddad participou de um café da manhã com a direção estadual do PT e a coordenação do MST, ali mesmo na feira. Experimentou pupunha, manga, açaí e tapioquinha, e conversou sobre a conjuntura política nacional e as expectativas para 2018. Acompanhe trechos da conversa: 

Qual a sua avaliação da Feira do MST? 

O MST inspirou a minha geração na forma de lutar, de chamar a atenção para um problema grave, e pela maneira altiva com que esses trabalhadores do campo se colocaram reivindicando o que está na Constituição. Eles não reivindicam nada além do que está na lei, e de uma maneira muito interessante, que influenciou uma geração, os sindicatos, a universidade, e serviu de inspiração para aqueles que querem um Brasil mais justo.
Vivemos um período de grande retrocesso e perda de direitos sociais, com uma ofensiva cada vez mais violenta contra a esquerda. Quais as suas expectativas para 2018?  

Espero que os nossos adversários tenham clareza e compreensão de que só há um jeito legítimo de ganharem, que é derrotarem o Lula nas urnas. Qualquer outra solução será um outro casuísmo, uma outra violência, uma outra saída não legítima, um outro governo ilegítimo, e acho que isso não vale a pena para o Brasil. Vamos deixar o povo decidir. O povo está com conhecimento de tudo, está informado sobre as coisas, ninguém está escondendo nada de ninguém. O Lula vai poder contar das coisas dele, da vida dele, de como ele procedeu, assim como o Alckmin e quem vier, não tem problema. Vamos deixar os candidatos se apresentarem. O Lula teve a vida revirada do avesso, o Jornal Nacional fez três anos sobre o Lula. Então nada mais justo do que uma disputa democrática, limpa, legítima. E aí quem ganhar, leva, governa. E o lado que perder não vai fazer como o Aécio, vai reconhecer. Se amanhã o Alckmin ganhar, defendo que a gente dê total respaldo para o resultado, a oposição faz parte da democracia. Agora outra coisa é ser adversário do país, da democracia, como o Aécio fez: não aceitou o resultado das urnas e depois vimos no que deu. Vamos fazer a boa disputa. Eles escalam o melhor deles, a gente escala o melhor nosso, e vamos jogar. A democracia é bonita. Agora ficar inventando história, atrasa processo, adianta processo, inventa prova, delator… Não dá para um país ser assim. Um país é importante demais, a gente está parecendo uma republiqueta. Isso não é digno do Brasil. Vamos deixar a disputa acontecer. Temos aí quatro ou cinco candidatos, Lula, Alckmin, Ciro, Marina, Bolsonaro. Deixa o povo escolher. 

E quais são os seus planos para o ano que vem?
Eu acho que é tão importante a vitória do Lula, que desde o começo do ano, quando ele me perguntou: “O que você pretende para 2018?”, eu disse: “Presidente, estou à disposição e queria muito ajudar na sua campanha, é o que eu mais gostaria de fazer. É óbvio de, que repente, o senhor tem outra escalação na sua cabeça, aí a gente discute”. Mas essa eleição é tão vital para o Brasil, que eu gostaria de ter essa experiência, até porque nunca participei de uma campanha presidencial por dentro, como professor de ciência política. Então, se eu puder acompanhá-lo na formulação do discurso, do programa, da proposta, se eu puder rodar o Brasil, colhendo subsídios das universidades, das escolas técnicas, do ensino médio e levar para ele, para ajudar a apresentar uma plataforma, isso é o que vai me dar mais prazer.    

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