Representantes de sindicatos, grupos quilombolas, comunidades indígenas e pequenos agricultores realizaram um protesto na travessa Quintino Bocaiúva, no centro de Belém, na tarde desta quarta-feira (23), contra o projeto da Ferrovia Paraense. A manifestação ocorreu logo após a Audiência Pública que reuniu, no auditório da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), o secretário de Estado […]

Movimentos sociais protestam contra Ferrovia Paraense

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Representantes de sindicatos, grupos quilombolas, comunidades indígenas e pequenos agricultores realizaram um protesto na travessa Quintino Bocaiúva, no centro de Belém, na tarde desta quarta-feira (23), contra o projeto da Ferrovia Paraense. A manifestação ocorreu logo após a Audiência Pública que reuniu, no auditório da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adnan Demachki, o vice-governador Zequinha Marinho, os deputados estaduais Carlos Bordalo (PT) e Iran Lima (PMDB), além de técnicos e engenheiros que compõem a equipe responsável pelo projeto. 

“Esse projeto vai nos prejudicar muito, pelo que soubemos das outras rotas de ferrovia. Não queremos para a gente o que aconteceu lá. E nós não fomos consultados, eles não nos procuraram”, disse Leocádia Oliveira, do quilombo África Laranjituba, localizado no município de Moju.

A Ferrovia Paraense é um empreendimento do Governo do Estado, em parceria com empresas privadas, para ser um braço da Ferrovia Norte-Sul e facilitar o transporte e escoamento de cargas nas regiões Norte e Centro-Oeste. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto, serão 1.319 quilômetros de extensão, cortando 23 municípios do Pará, desde Santana do Araguaia, sudeste do estado, até Barcarena, no nordeste paraense. O empreendimento vai ligar duas estradas de ferro até o Porto de Barcarena, na Região Metropolitana de Belém, que tem saídas para China, Europa e Estados Unidos. 

Segundo o titular da Sedeme, Adnan Demachki, a ferrovia tem duas âncoras: mineração e agronegócio, além de servir para o transporte de passageiros. Ele também diz que o projeto tem 85 km a mais de extensão para desviar de comunidades quilombolas, reservas indígenas e florestais. 

No entanto, para representantes das comunidades atingidas, o projeto não trará benefícios, pois desvia apenas de comunidades tituladas pelo Incra. Além disso, não houve consulta ou qualquer reunião prévia para tratar do projeto da ferrovia. 

Manoel Paiva, representante do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas, faz duras críticas ao projeto. “É sempre a mesma coisa: esses projetos não garantem para as comunidades uma melhor forma de vida, não garante a agricultura familiar e a renda para o pequeno agricultor, não escoa a produção desses agricultores. Queremos a consulta prévia com as comunidades, para que possam elencar suas necessidades. O governo já tem o traçado completo da ferrovia, e nenhuma comunidade foi ouvida ou consultada”, disse Manoel. 

Após uma discussão calorosa entre os representantes do governo e das comunidades, Adenan Demachki encerrou a reunião, impedindo que as demais pessoas inscritas pudessem falar. 

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