Mais uma vez chamo a atenção sobre o estado de insegurança pública que vivem diariamente os ribeirinhos e todos aqueles que utilizam o transporte fluvial ou que vivem da pesca nos rios do Pará, especialmente aqueles que circulam pelo estreito de Breves, vindo de Belém ou indo a Belém dos diversos municípios do Marajó. Na […]

Segurança Pública tem que dar uma resposta sobre a pirataria nos rios do Pará

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Mais uma vez chamo a atenção
sobre o estado de insegurança pública que vivem diariamente os ribeirinhos e
todos aqueles que utilizam o transporte fluvial ou que vivem da pesca nos rios
do Pará, especialmente aqueles que circulam pelo estreito de Breves, vindo de
Belém ou indo a Belém dos diversos municípios do Marajó.

Na madrugada deste sábado, uma embarcação vinda de São Sebastião da Boa Vista,
foi assaltada por Piratas que espalharam o terror entre os passageiros e
assassinaram o dono da embarcação, o senhor Moisés Pantoja. Há
menos de 20 dias, outra embarcação também havia sido assaltada na mesma linha.


É impressionante que em fevereiro a Polícia Civil fez uma grande operação na
região, prendeu três pessoas, apreendeu armas e munições e menos de três meses
depois temos este grave caso, que demonstra o descontrole sobre a pirataria
naquela região.


Lembro que estive em outubro de 2015 na Região das Ilhas de Abaetetuba, na
comunidade do Quianduba e a reclamação era a pirataria. Antes, em maio de 2015,
estive na Vila de São Miguel do Pracuúba e na Vila da Ponta Negra e a
reclamação da população era a mesma.

Quando fui investigar as causas
descobri que a base do policiamento fluvial daquela região esta instalada em
Abaetetuba, que tenta atender a uma população de mais de 42 mil pessoas,
distribuídas em mais de 70 ilhas, contando com apenas 1.600 litros de diesel
mensais para cobrir um oceano de água doce que se estende de Barcarena até
Breves, com uma Lancha e poucos policiais em regime de escala.

Quando soube desta situação, fiz uma emenda a LOA deste ano e consegui com o
apoio dos colegas deputados, um incremento de R$ 50 mil em óleo diesel. Mas.
esta claro que não foi suficiente.


Já fiz moções pedindo que a Segup divida esta área, que crie outras bases de
policiamento no meio do caminho, em São Miguel do Pracuúba, na Ponta Negra, em
São Sebastião da Boa Vista ou em Curralinho. Mas é preciso que se faça imediatamente.


Que dote estas Bases de lanchas adequadas, para fazer o policiamento ostensivo
e as operações de perseguição. A lancha EAT é excelente para enfrentar as
baías, mas não adentra nos igarapés, onde os piratas se refugiam. Então cada
base destas precisa ter a disposição pelo menos dois tipos de lanchas e homens
com treinamento tático específico para este tipo de enfrentamento.


Aliás, o problema não está restrito somente na área de Barcarena à Breves,
afeta toda a região do Baixo Tocantins – limoeiro do Ajurú, Cametá e Igarapé
Miri também estão infestadas com estes ratos d’agua. E neste aspecto, a
Assembleia Legislativa e os deputados vêm fazendo a sua parte de denunciar ao
poder executivo inúmeros crimes acobertados pela imensidão de baías, furos, igarapés
e ilhas que compõe aquela região. Participei, de pelo menos três CPI’s no
parlamento estadual, que de alguma forma tinham conexão com a região do baixo
Tocantins e o curso até o estreito de Breves.


Na CPI do trafico humano, identificamos uma rota internacional de tráfico de
pessoas (mulheres e meninas) saindo de Abaetetuba para o Suriname e a Guiana.

Na CPI da Pedofilia vimos que a prostituição infantil é corriqueira naquela
região, inclusive acobertada por grandes empresas de navegação regional e na
CPI das milícias vimos grupos na região, atuando com o roubo de cargas e
contrabando.


Então, não é possível que se saiba qual é a doença, qual é o remédio, quem é e
onde estão os pacientes e não se tome uma única medida para resolver o
problema.


O Secretário de Segurança Pública tem que se manifestar, dizer em que prazo irá
dividir as bases do policiamento fluvial e irá aumentar o efetivo na área, não
apenas com a saturação, que é de praxe na seqüência destes eventos de grande
repercussão, porque depois que a comoção pública passa, a polícia da região
volta para as minguadas condições de sempre e os piratas voltam a atacar,
aterrorizar os ribeirinhos, roubar suas casas, sua produção, atacar embarcações
de passageiros e de carga e o ciclo da violência se completa e continua.

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