Carlos Bordalo se posiciona contra a violência no campo

O deputado Carlos Bordalo (PT),
presidente da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Assembleia
Legislativa do Pará, solicitou ao Ministério Público e à Polícia Civil do Pará
celeridade no processo que investiga as agressões sofridas pelos produtores
rurais Jorge Martins dos Santos e Thiago Sales dos Santos, em Canaã dos
Carajás, no último dia 27 de fevereiro, por funcionários da Prosegur, empresa
terceirizada da Vale. O pronunciamento foi feito nesta quarta-feira, dia 09 de
março.
O produtor rural Jorge Martins
dos Santos e seu filho Thiago Sales dos Santos, vizinhos de uma área
pertencente à mineradora Vale, denunciam que foram agredidos por seguranças da
empresa Prosegur, no município de Canãa dos Carajás, sudeste do Pará. O
conflito ocorreu numa região em litígio, onde a Vale desenvolve projetos de
mineração milionários, como o recém-inaugurado S11D.  A notícia causou
revolta.
Em depoimento à polícia, os
agricultores relataram que estavam consertando uma cerca na propriedade rural
para evitar que o gado saísse. A área faz divisa com a fazenda Boa Sorte, onde
está instalado o Projeto S11D, da mineradora. De forma violenta, os seguranças
passaram a agredir fisicamente e verbalmente os trabalhadores rurais, sem
chance de defesa. No relato, informaram que a cerca deveria ser construída pela
mineradora em virtude de acordo para permitir a passagem do ramal ferroviário
que liga o S11D à Estrada de Ferro Carajás. A Vale, por sua vez, apresenta
versão diferente: alega que houve uma tentativa de invasão em sua área por um grupo
liderado por Jorge.
Enquanto os conflitos não se
resolvem, o clima de tensão é constante na área. Reportagem veiculada pelo
jornal El País, no dia 03 de março, relata que agricultores acampados são
perseguidos pela mineradora e vigiados até por drones e helicópteros.
“São muitos os relatos de
trabalhadores que já foram impiedosamente humilhados e molestados por estes
seguranças. A prática comum é ameaçar, tomar os pertences, humilhá-los,
colocá-los no veículo e levá-los para a delegacia de polícia”, afirmam os
sem-terra de quatro acampamentos em área da Vale, que divulgaram uma nota após
o ocorrido, assinada em conjunto com o Sindicato dos Trabalhadores e
Trabalhadoras Rurais de Canaã dos Carajás, o Centro de Educação, Pesquisa e
Assessoria Sindical e Popular e o Movimento em Defesa de Territórios Livres de
Mineração.

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