Bordalo realiza audiência pública para discutir fechamento de agências do Banco do Brasil

O Deputado Estadual Bordalo promoveu em conjunto com o Sindicato
dos Bancários do Pará na manhã desta segunda-feira (19), no auditório da Alepa,
audiência pública referente ao fechamento de quatro agências do Banco do Brasil
no Pará. Participaram do evento o diretor do sindicato, Gilmar Santos; o
superintendente do banco no estado, Edvaldo Souza; Fábio Pantoja, da associação
dos funcionários do banco (Anabb); Vera Paoloni, diretora de comunicação da
CUT-PA; Marcus Araújo, presidente da CTB-PA; Antônio Menezes, presidente da
associação pró-turismo de Mosqueiro; Leirson Azevedo, professor e morador da
Ilha; e a vereadora Sandra Batista.

O objetivo do encontro foi ouvir as demandas dos funcionários da
instituição, dos moradores do Mosqueiro – que terá a única agência do Banco do
Brasil fechada – e da própria instituição, para que se entenda os motivos da
medida. Bordalo enfatizou que é contra o fechamento das unidades bancárias,
principalmente no distrito de Belém, visto que a única agência mais próxima da
localidade fica no município de Benevides, distante 40 quilômetros do centro de
Mosqueiro. 

“A ilha é um dos principais destinos turísticos do Pará, tem
população estimada em 40 mil habitantes, estima-se que seja até mais, é um
balneário que recebe até 300 mil pessoas em período de pico, portanto é
inconcebível fechar essa agência, que é lucrativa, que já ganhou prêmio de ouro
do banco. Somos totalmente contra esse fechamento. Não é uma posição do
parlamento apenas. O parlamento está repercutindo uma posição que é da
comunidade”, comentou.

O superintendente do banco no estado, Edvaldo Souza, justificou
que o fechamento das agências ocorre em virtude da substituição das funções
administrativas do banco por tecnologias que possam viabilizar o serviço aos
clientes. A expectativa é que 15 milhões de clientes com aplicativo de celular
até dezembro de 2017. “Nós temos atualmente 63 milhões de clientes e esse dado
é de pessoas que efetivamente usam o celular e fazem ao menos uma transação.
São os atributos do atendimento moderno, o mundo está em constante
transformação. Temos o atendimento gerenciado, a conveniência digital é
estendida. Escritórios que atendem das 8h às 22h, tem uma pessoa responsável
por suas demandas. Quando abre pedido, imediatamente as pessoas respondem.
Agilidade na conclusão dos negócios”, comentou.

A posição do superintendente foi, no entanto, contestada pelo
Deputado e pelos demais participantes da audiência, em virtude da realidade do
uso e do acesso a serviços que exigem internet e aparelhos eletrônicos – o que
nem toda população tem disponível. “Uma coisa é fechar uma agência para
transitar para o mundo virtual num estado como Minas Gerais, Paraná, Santa
Catarina, o outro é na Amazônia, no Pará, onde o nível de acesso à internet é
precaríssimo e temos ainda nível educacional em construção e milhões de
paraenses que precisam receber suas aposentadorias numa agência bancária e não
podem ficar reféns de ter que caminhar quilômetros para receber”, enfatizou
Bordalo.
O Deputado recebeu ds moradores e dos sindicatos e
movimentos um abaixo-assinado com cerca de três mil assinaturas, além de
uma carta de repúdio em que se posicionam contra o plano do Banco. O deputado
informou que vai enviar os documentos ao Governo Federal e à diretoria
executiva da instituição em Brasília.  

Sociedade critica medidas
O diretor do Sindicato dos Bancários, Gilmar Santos, disse ainda
que o fechamento das agências representa uma piora ao atendimento aos clientes.
“Também não contribui para a economia das localidades, tem um papel social
muito importante, por isso não concordamos. O acesso à internet na nossa região
não é de qualidade. Não somos contra o uso da tecnologia, só que não se pode
implementar mudanças de uma hora para outra, nivelando todos por cima. Não
podemos tratar igual os desiguais. Nem todo paraense tem condições financeiras
de comprar um celular adequado para acessar sua conta”, comentou.

O professor Leirson Azevedo espera que a decisão de fechamento da
agência do Mosqueiro possa ser revertida. “Muitos outros já fecharam as portas.
Ficamos pensando, vai ficar só o Banpará? Isso é retroceder para a década de
1980, cada vez mais fortalecer essa trincheira. Parlamentares, comunidade, os
amantes de Mosqueiro. Hoje o acesso à internet lá é muito ruim, eu tenho wi-fi
e o serviço não é bom. Imagina quem não tem ou mora distante do centro?”,
questionou.
Antônio Menezes, presidente da associação pró-turismo de
Mosqueiro, lembrou que a medida pode prejudicar os comerciantes. “Essa medida é
leviana e um descalabro. É impensável viver no Mosqueiro sem uma agência
bancária decente. Nós, empresários, comerciantes, barraqueiros, mexemos com
dinheiro. Você tem que pegar e depositar numa agência. E vai ter que ir para
Benevides. E com a insegurança, com certeza seremos roubados. Para nós, isso
significa que empreendimentos possam fechar”, projetou.

Sobre o Plano
O plano de reestruturação das agências do Banco do Brasil foi
anunciado no último dia 20 de novembro e prevê além do fechamento
da agência do Mosqueiro, a extinção da unidade bancária da avenida 9 de
janeiro, no bairro da Cremação, e fusão das agências localizadas nas avenidas
Gentil Bittencourt e Generlíssimo Deodoro, no centro da capital.

Para atender o processo de reestruturação, serão criados dois
grandes escritórios na capital para receber os clientes. A criação das unidades
está prevista para ocorrer ainda no primeiro semestre do próximo ano. 
O superintendente do BB esclareceu ainda que os clientes
da agência de Mosqueiro poderão ser atendidos no município de Benevides  e
que os funcionários serão remanejados para as cidades de Ananindeua, Benevides
e Marituba, e que o Banco Postal será mantido na comunidade.  

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